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Emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Yury do Paredão (MDB-CE) foram usadas por ao menos cinco municípios do Ceará para contratar shows do cantor de forró Jonas Esticado, de quem o próprio deputado é sócio e empresário. Cada apresentação custou R$ 300 mil, paga por meio da empresa Jonas Esticado Gravações & Edições Musicais LTDA, que tem o cantor e o parlamentar como sócios e é administrada pela mãe do deputado. Os recursos saíram da Comissão de Turismo da Câmara e chegaram às prefeituras em 2025 via convênio com o Ministério do Turismo. O deputado afirma que as emendas não determinam a contratação de artistas e que cabe às prefeituras escolher a programação.
Emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Yury do Paredão, do MDB do Ceará, foram usadas por pelo menos cinco municípios cearenses para contratar shows do cantor de forró Jonas Esticado. O detalhe que move a reportagem é direto: o próprio deputado é sócio e empresário do artista. As apresentações foram contratadas por meio da empresa Jonas Esticado Gravações & Edições Musicais LTDA, que tem como sócios o cantor e o parlamentar, e é administrada pela mãe do deputado.
A cobertura de centro, baseada na apuração original da coluna que revelou o caso, relatou que cada show teve cachê de R$ 300 mil e que os recursos saíram da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. O dinheiro chegou às prefeituras ao longo de 2025, depois que os municípios firmaram convênio com o Ministério do Turismo. Entre as cidades citadas estão Aurora, que usou R$ 300 mil para contratar o cantor nas comemorações de aniversário; Mombaça, onde parte da verba do Festival Viva Mombaça veio de emenda indicada por Yury do Paredão e pelo deputado Eunício Oliveira; e Farias Brito, que destinou outros R$ 300 mil para a apresentação durante a ExpoVaq, em setembro de 2025.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo do gasto público e do conflito de interesse, posicionando o episódio como caso exemplar de mau uso do dinheiro do contribuinte: verba federal de turismo terminando como cachê de uma empresa da qual o próprio padrinho da emenda é sócio. Essa cobertura ancorou a matéria em crítica ao tamanho e à opacidade do orçamento de emendas e cobrou responsabilidade individual do parlamentar, ainda que tenha publicado integralmente a resposta dele.
Veículos de esquerda tenderiam a ler o mesmo fato como sintoma da captura do orçamento público por interesses privados e da fragilidade dos controles sobre as emendas, com municípios pobres dependentes do padrinho político que controla a verba. Nesse enquadramento, a alegação de que a escolha das atrações cabe às prefeituras funciona como blindagem formal de um conflito de interesse de fundo.
Procurado, Yury do Paredão afirmou que as emendas destinam recursos aos municípios, mas não determinam a contratação de artistas ou empresas específicas, e que cabe às prefeituras definir a programação, conduzir os processos administrativos, pagar e prestar contas aos órgãos de controle. Em nota, o gabinete sustentou que as escolhas seguem critérios de mercado, como capacidade de atrair público e identidade cultural, e que a atuação do deputado no setor artístico antecede o mandato. O Ministério do Turismo declarou apenas que as emendas são de responsabilidade da Comissão de Turismo da Câmara e que cabe à pasta cumprir as regras de execução.
O que ainda não se sabe é se algum órgão de controle, como o Tribunal de Contas da União ou o Ministério Público, já avalia a legalidade dos convênios, e se o arranjo configura ilegalidade formal ou apenas conflito ético de interesse. Também não está claro o valor total da verba envolvida nem se outras cidades além das cinco citadas adotaram o mesmo modelo de contratação.
Verba federal de turismo (R$ 300 mil por show) repassada via Ministério do Turismo a prefeituras cearenses terminou em uma empresa cujos sócios são o cantor e o próprio deputado que apadrinhou a emenda.
Esquerda, centro e direita reconhecem o fato central: emendas indicadas pelo deputado Yury do Paredão financiaram shows de um cantor de quem ele é sócio e empresário, em ao menos cinco municípios do Ceará, com cachês de R$ 300 mil cada.
Não se sabe se TCU ou Ministério Público já apuram os convênios, se há ilegalidade formal ou apenas conflito ético, nem o valor total da verba e quantas cidades adotaram o modelo.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual de coluna investigativa, sem vocabulário valorativo carregado: relata o achado (emendas, empresa, cachês, municípios) de forma direta. Linka caso análogo (Silas Câmara) como contexto. Tom neutro, foco na apuração.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Texto majoritariamente factual, mas o veículo de direita ancora a matéria num box editorial crítico ('Congresso amplia medidas contra liberdade econômica') e enfatiza o uso de dinheiro público em shows, framing de accountability fiscal e crítica ao gasto. Traz a resposta integral do deputado, o que equilibra parcialmente.
Perspectivas omitidas

O deputado Yury do Paredão é empresário de Jonas Esticado. Apresentações do artista foram pagas com emendas indicadas pelo parlamentar

Recursos indicados por Yury do Paredão financiaram apresentações de Jonas Esticado em municípios do Ceará
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