O entorno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, avalia que a área econômica é um dos principais pontos fracos da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A leitura de auxiliares do governador paulista é de que o mercado, sobretudo em São Paulo, se decepcionou com a ausência de uma figura de peso para tocar o tema e comunicar aos setores econômicos quais são as propostas concretas do senador. Até o momento, apenas um veículo cobriu esse recorte de bastidores, relatando as avaliações de forma reservada.
Segundo essa cobertura, empresários e integrantes do mercado financeiro consideram, em conversas reservadas, que a economista Daniella Marques, cotada para ser vice na chapa e apontada como um dos elos de Flávio com o setor econômico, não teria histórico suficiente para dar peso ao projeto que o senador pretende apresentar. Marques presidiu a Caixa Econômica Federal por menos de um semestre em 2022 e antes chefiou uma assessoria especial no Ministério da Fazenda de Paulo Guedes. No mercado, parte dos interlocutores ainda a associa a essa condição de auxiliar, e não de comandante de uma política econômica.
De acordo com uma fonte ligada ao Palácio dos Bandeirantes, o empresariado paulista esperava a participação de nomes que dariam mais segurança quanto às ideias de Flávio, como o ex-secretário do Tesouro Nacional Mansueto Almeida ou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Como comparação, foram citados os casos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, que recorreram a Henrique Meirelles e a Paulo Guedes para transmitir a mensagem de que a política econômica seria diferente da linha adotada por governos do PT.
Como se trata de cobertura de fonte única, o material se apoia inteiramente em fontes do campo de Tarcísio, e o enquadramento pode ser lido de mais de um ângulo. Uma leitura mais à esquerda tenderia a destacar que a disputa gira em torno de agradar o mercado financeiro e o grande empresariado, com a escolha de quadros econômicos funcionando como sinalização a investidores. Já uma leitura mais à direita tenderia a enfatizar a necessidade de um projeto econômico crível, com um porta-voz experiente capaz de transmitir responsabilidade fiscal e segurança à livre iniciativa. A cobertura factual disponível se limita a registrar o incômodo do governo paulista com a falta de interesse da campanha de Flávio em acionar interlocutores próximos ao setor produtivo.
O que ainda não se sabe: não há, no material, resposta da campanha de Flávio Bolsonaro nem da própria Daniella Marques às críticas atribuídas ao entorno de Tarcísio, tampouco confirmação oficial sobre a composição definitiva da chapa e sobre quem assumiria a interlocução econômica do projeto.