
Estudantes e professores encerram greve na Unicamp
Resumo da cobertura
Os professores da Unicamp encerraram, na quinta-feira (11), a greve iniciada em 18 de maio, após aprovarem um reajuste salarial de 3,92% negociado entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis. Os estudantes avançaram em 95% das pautas com a reitoria e caminham para o fim da mobilização, mas a decisão depende da assembleia do campus de Limeira. Os servidores técnicos, representados pelo STU, seguem em greve, com nova assembleia prevista para terça-feira (16). A reitoria alega restrição orçamentária ligada à queda de arrecadação do Estado.
Os professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram encerrar, na quinta-feira (11), a greve que durava 25 dias e havia começado em 18 de maio. A categoria aprovou um reajuste salarial de 3,92%, negociado entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis, entidade que reúne sindicatos e representantes estudantis das três estaduais paulistas (Unicamp, USP e Unesp) e do Centro Paula Souza.
O desfecho, porém, não foi uniforme entre as categorias. Os docentes encerraram a paralisação, mas os servidores técnicos, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), permanecem em greve e marcaram nova assembleia para terça-feira (16). Os estudantes, por sua vez, avançaram nas negociações: o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou ter tido 95% das pautas contempladas e votou pelo encerramento da mobilização, que ainda depende da concordância do campus de Limeira, onde haveria nova assembleia.
Veículos de centro relataram com clareza a distinção entre os três grupos e detalharam o contexto orçamentário do conflito. Segundo a Associação dos Docentes da Unicamp (ADunicamp), a categoria se comprometeu a reabrir as negociações no segundo semestre caso a arrecadação do ICMS paulista alcance a projeção de R$ 187,1 bilhões prevista pelo governo estadual, vinculando explicitamente futuros reajustes ao desempenho da receita do Estado.
As reivindicações dos estudantes iam muito além do salário. Entre as pautas estavam a construção de moradia estudantil no campus de Limeira, melhorias nos restaurantes universitários e no transporte interno, o fortalecimento de políticas de combate à violência sexual e étnico-racial e de apoio psicológico, além de queixas sobre falta de professores e déficit de funcionários técnicos. A reitoria afirmou ter equacionado uma política de moradia para Limeira e indicado o aperfeiçoamento da distribuição de bolsas de permanência.
A cobertura de veículos de direita enfatizou a dimensão fiscal do impasse. O reitor Paulo Cesar Montagner classificou a manifestação como legítima e natural de ambientes universitários, mas ressaltou que nem sempre seria possível atender a todas as reivindicações por restrições orçamentárias. Vivemos um momento de frustração de arrecadação, disse, observando que Unesp e Unicamp atravessam situação financeira mais delicada que a USP. Esse enquadramento destaca a responsabilidade fiscal e os limites do gasto público diante da receita efetiva.
Veículos de esquerda, na leitura da comunidade acadêmica, tenderiam a ler o desfecho como vitória da ação coletiva: a mobilização conjunta de professores, estudantes e servidores arrancou avanços concretos diante de um quadro de subfinanciamento das universidades públicas paulistas. O DCE celebrou as conquistas em vídeo nas redes sociais, e a ADunicamp prometeu manter mobilizações para cobrar mais financiamento, condições de trabalho e políticas de permanência estudantil.
Briefing
O que importa para você
- O reajuste salarial é de 3,92% para docentes das estaduais paulistas.
- Novas negociações no segundo semestre dependem de o ICMS arrecadar R$ 187,1 bilhões.
- Aulas e atividades tendem a normalizar com o fim da greve docente, mas serviços técnicos seguem afetados pela greve do STU.
- Obras de moradia em Limeira e reforma do Paviartes (previsão de 20/6) avançam.
Onde os lados divergem
- A cobertura de direita enfatiza a responsabilidade fiscal, os limites da arrecadação do Estado e os transtornos da ocupação da DGA aos serviços essenciais.
- A leitura da comunidade acadêmica e de veículos de esquerda destaca a força da ação coletiva e o subfinanciamento crônico como causa do impasse.
- Diferença de tom no peso dado ao gatilho do ICMS: condicionante prudente (direita) versus amarra que sufoca a universidade (esquerda).
Onde os lados concordam
- Professores aprovaram reajuste de 3,92% e encerraram a greve de 25 dias na quinta-feira.
- Os estudantes tiveram 95% das pautas atendidas, mas a decisão final depende do campus de Limeira.
- Os servidores técnicos (STU) seguem em greve, com nova assembleia em 16 de junho.
- O financiamento das universidades estaduais paulistas é o pano de fundo do conflito.
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- G1Professores da Unicamp encerram greve; servidores mantêm paralisação e estudantes avançam em negociaçãoDe acordo com a ADunicamp, docentes decidiram encerrar greve ao aprovarem reajuste de 3,92%. Entre estudantes, fim da greve depende da concordância do campus de Limeira (SP).
Ver análise editorial
Cobertura factual rigorosa que separa com clareza os três grupos: docentes encerraram a greve, servidores (STU) seguem paralisados com assembleia marcada, estudantes avançaram em 95% das pautas mas aguardam Limeira. Cita o reajuste de 3,92%, o gatilho do ICMS (R$ 187,1 bilhões), a nota da instituição sobre a ocupação da DGA e múltiplas fontes (ADunicamp, STU, DCE, reitoria) com paridade. Sem vocabulário ideológico; informa que aguarda posicionamento da instituição.
Linha do Tempo
- 20 de jun. de 2026, 00:00ProgramadoPrevisão de início das obras de reforma do Paviartes, espaço dos cursos de dança e teatro do Instituto de Artes da Unicamp.
- 16 de jun. de 2026Hoje
- 16 de jun. de 2026, 00:00ProgramadoSindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) realizará nova assembleia para decidir sobre a continuidade da greve dos servidores técnicos.
- 11 de jun. de 2026, 00:00Professores da Unicamp aprovam o reajuste de 3,92% e encerram a greve; estudantes avançam em 95% das pautas com a reitoria.
- 10 de jun. de 2026, 00:00Cruesp e Fórum das Seis definem em reunião a proposta de reajuste salarial de 3,92% para as universidades estaduais paulistas.
- 08 de jun. de 2026, 00:00Estudantes grevistas ocupam o prédio da Diretoria Geral de Administração (DGA) da Unicamp.
- 18 de mai. de 2026, 00:00Professores e estudantes da Unicamp iniciam greve por reajuste salarial e melhorias nas condições das universidades estaduais paulistas.
Fontes

A greve havia sido iniciada em 18 de maio
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De acordo com a ADunicamp, docentes decidiram encerrar greve ao aprovarem reajuste de 3,92%. Entre estudantes, fim da greve depende da concordância do campus de Limeira (SP).
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