O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, classificou como traição a decisão de seu ex-secretário da Casa Civil, Marcelo Aro, de abandonar a vaga na chapa ao Senado para disputar o governo do estado em 2026. Em vídeo divulgado nesta quinta-feira, Zema afirmou que a movimentação, costurada em Brasília, representa o retorno da velha política a Minas e abre espaço para os políticos vendidos voltarem a destruir o estado.
A cobertura de centro relatou o rompimento em tom factual. Aro comunicou ao governador Mateus Simões, sucessor e aliado de Zema, que deixaria a chapa depois de perder espaço no Senado com a acomodação do senador Carlos Viana. Nos bastidores, PL, Republicanos, PP e a federação União Progressista passaram a articular a candidatura de Aro para unificar a direita mineira, movimento acelerado pela indefinição de Cleitinho Azevedo sobre concorrer ao governo.
Veículos de direita enfatizaram a fragilidade eleitoral do grupo governista, destacando pesquisa Genial/Quaest que coloca Mateus Simões em quarto lugar, com 6% das intenções de voto, atrás de Cleitinho, com 35%, de Alexandre Kalil, com 12%, e de Patrus Ananias, com 10%. Nessa leitura, Zema aparece sem alianças sólidas e sob risco de não eleger o sucessor.
Veículos de esquerda não cobriram o episódio, mas tenderiam a enquadrá-lo como uma disputa interna do campo conservador, na qual acordos de bastidores por cargos e palanques se sobrepõem a projetos concretos para o estado.
Todos os relatos convergem em que a eventual candidatura de Aro reconfigura a eleição. Se a aliança for selada, Simões disputará a reeleição apoiado por PSD e Novo, enquanto PL, Republicanos, PP e União Progressista tendem a migrar para o palanque adversário, cenário avaliado por aliados do governador como o pior para a campanha.
Ainda não se sabe se Aro confirmará formalmente a candidatura, se a aliança será consolidada nem qual será a posição definitiva de Cleitinho, que insistiu em concorrer ao governo contrariando nota publicada pelo próprio Republicanos.