A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 7 de julho de 2026, a sexta fase da Operação Unha e Carne, voltada a desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro. Segundo relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, o grupo teria movimentado mais de 7,6 bilhões de reais nos últimos seis anos. As investigações apontam a participação de funcionários públicos no esquema.
Entre os alvos estão Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio, e Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil. Ao todo, foram cumpridos dezenove mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados, que podem responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.
A cobertura de centro, representada pela Veja, relatou os fatos de forma descritiva, atribuindo as informações à Polícia Federal, ao Coaf e à Justiça, e situando a ação no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, que busca desarticular organizações criminosas no estado do Rio. Esse enquadramento enfatiza o trabalho técnico dos órgãos de controle e o rastreamento dos fluxos financeiros ilícitos. Veículos de direita tendem a ler a operação como demonstração da eficácia institucional no combate à corrupção e ao crime organizado, com responsabilização de quem se aproveita da máquina pública, independentemente de filiação.
Já veículos de esquerda, como o ICL Notícias, destacaram o ângulo político-partidário dos alvos e a proximidade do esquema com figuras da direita fluminense. Essa cobertura ressaltou que Canella é pré-candidato apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e que Amim foi secretário na gestão do governador Cláudio Castro. Sublinhou também que um dos investigados, o ex-policial militar conhecido como Jura, foi apontado pela CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio, em 2008, como chefe de grupo paramilitar na Baixada Fluminense, e que a força-tarefa opera sob as diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, que trata do controle da letalidade policial.
Os enquadramentos convergem nos fatos centrais: a existência da operação, o valor movimentado, o número de mandados e a identidade dos principais alvos. A operação teve início em dezembro de 2025, investigando o vazamento de informações sigilosas sobre ações contra o Comando Vermelho, e foi ganhando novas ramificações, alcançando o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e possíveis conexões com fraudes em contratos da Secretaria de Educação.
O que ainda não se sabe é o desfecho jurídico do caso: até o momento não há manifestação ou defesa dos investigados nas reportagens, não está detalhado o eventual desdobramento das pré-candidaturas atingidas, nem quais outros agentes públicos ou políticos podem ser alcançados no decorrer das diligências.