‘Filtro’ vai reduzir ações julgadas no STJ
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- Recurso ao STJ passa a exigir demonstração de relevância que ultrapasse o interesse das partes.
- Continuam admitidos automaticamente recursos de ação penal, improbidade, causas acima de 500 salários mínimos, casos de inelegibilidade e decisões contrárias à jurisprudência do tribunal.
- O STJ tem 30 dias para atualizar o regimento interno e começar a aplicar a regra.
- Projeção da FGV Justiça: só 36,11% dos processos, ou 70.299 casos, entrariam sem exame de relevância.
Onde os lados concordam
As duas frentes de cobertura tratam o filtro como mecanismo já previsto na Constituição, agora regulamentado, com desenho semelhante ao da repercussão geral do Supremo e finalidade de reduzir o volume de recursos que chegam ao STJ. Nenhuma delas contesta o diagnóstico de congestionamento da Corte.
O que ainda está incerto
- Quais critérios exatamente a nova lei acrescentou ao rol constitucional de relevância.
- Como o regimento interno vai definir procedimento e quórum para recusar um recurso.
- Se haverá regra de transição para os processos já em estoque e qual o efeito esperado sobre o tempo médio de tramitação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em 4 de agosto de 2026 a lei que institui o chamado filtro de relevância para os recursos julgados pelo Superior Tribunal de Justiça. A partir da vigência da regra, quem recorrer à Corte terá de demonstrar que a questão discutida tem relevância econômica, política, social ou jurídica capaz de ultrapassar o interesse das partes envolvidas no processo. O mecanismo já estava previsto na Constituição e dependia de regulamentação por lei para começar a produzir efeito.
O desenho é semelhante ao da repercussão geral, adotada pelo Supremo Tribunal Federal em 2007. O objetivo declarado é reduzir o número de processos que sobem à instância superior. Pela nova lei, o tribunal tem trinta dias para atualizar o regimento interno e passar a aplicar a ferramenta.
A Constituição já considera relevantes, de forma automática, os recursos ligados a ações penais, a ações de improbidade administrativa, a causas com valor superior a quinhentos salários mínimos, a casos que possam resultar em inelegibilidade e a decisões que contrariem a jurisprudência dominante do próprio tribunal. A lei sancionada acrescenta novos critérios a esse rol. O projeto teve a tramitação concluída no Congresso em 17 de julho, após aprovação no Senado, casa de origem, e na Câmara dos Deputados.
Os números dimensionam o alcance da mudança. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas Justiça, coordenado por um ministro da própria Corte, se o filtro já estivesse em vigor apenas 36,11% dos processos, ou 70.299 casos, seriam admitidos automaticamente; o restante teria a relevância submetida a exame. No Supremo, depois da adoção da repercussão geral, o volume caiu de cerca de 150 mil processos para 20 mil no último ano.
Os dois lados da cobertura convergem no fato central e na expectativa de redução do acervo, mas escolhem ângulos distintos. Veículos de esquerda destacaram a promessa de agilidade e reproduziram a declaração do presidente de que o povo brasileiro pode ter esperança de que as coisas andem mais rápido na Justiça, enquadrando a lei como melhoria de um serviço público do qual depende quem não tem como sustentar anos de litígio. A cobertura de centro relatou o mesmo fato pelo lado técnico e quantitativo: o prazo regimental de trinta dias, o percentual de processos que seguiriam admitidos automaticamente e a comparação histórica com o Supremo, tratando o filtro como instrumento de gestão de acervo e de previsibilidade jurisprudencial. Veículos de direita não publicaram cobertura própria do caso até o momento; o eixo que costuma organizar esse campo em temas de gestão judicial é o da eficiência e do custo econômico da litigiosidade em massa, com ressalva quanto ao poder de seleção que a regra concentra nas mãos dos ministros.
Fontes
Além dos critérios previstos na Constituição, processos precisarão demonstrar repercussão econômica, política, social ou jurídica para serem apreciados pela Corte.
Lula sanciona lei que cria mecanismo para selecionar os recursos analisados pela Corte
