Flávio Bolsonaro alega sem provas articulação de Moraes, Dino e Alcolumbre
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou em 3 de setembro, nas redes sociais, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro Flávio Dino teriam articulado uma ação ilegal contra ele, para reagir ao ministro André Mendonça e desgastá-lo eleitoralmente. Ele não apresentou documentos nem indicou qual seria a medida. A fala ocorre no auge da crise aberta pelo caso Banco Master: Mendonça retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal com mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, e Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios que, segundo ele, apontam indícios de improbidade e abuso de autoridade na atuação de Mendonça.
Para a leitura à esquerda, o episódio é a tentativa de um candidato pressionado de transferir para o Judiciário o desgaste que veio da própria conduta. Flávio Bolsonaro acusa Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Davi Alcolumbre de tramar contra sua candidatura sem apresentar um único documento, e o faz dois dias depois de o presidente do Senado lembrar em plenário que foram pedidos R$ 130 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.
Na leitura à direita, a acusação do candidato é reação previsível a um Supremo que se tornou parte da própria história que julga. O relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado por André Mendonça registra contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, às vésperas da prisão do banqueiro, e a resposta do ministro foi acionar instrumentos do próprio tribunal contra o colega que conduzia a investigação.
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Veículos com viés à direita
Todos os lados registram que Flávio Bolsonaro não apresentou documento, registro de conversa ou qualquer evidência da suposta articulação, e que nenhuma autoridade confirmou o episódio. Há acordo também sobre o contexto: a acusação nasce da crise entre Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo, aberta pela retirada do sigilo do relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou nas redes sociais que Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Davi Alcolumbre teriam combinado uma ação ilegal para desgastar sua candidatura, sem apresentar provas. A acusação surge no auge da crise do caso Banco Master no Supremo, que opõe Moraes ao ministro André Mendonça e chegou às ruas no ato de 7 de Setembro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou na quinta-feira, 3 de setembro, em publicação nas redes sociais, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o ministro Flávio Dino teriam articulado uma ação ilegal contra ele. Segundo o senador, o objetivo seria reagir ao ministro André Mendonça e desgastá-lo eleitoralmente. Ele não apresentou documentos, registros de conversa ou qualquer outro elemento capaz de sustentar a acusação, e não disse qual seria a medida supostamente planejada.
A acusação chega no ponto mais tenso da crise aberta no Supremo pelo caso do Banco Master. Na terça-feira, 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens e registros de contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do banco. Dois dias depois, Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios de inteligência da corporação que, segundo ele, apontam fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça à frente das operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e Compliance Zero, ligada ao Banco Master. Fachin ainda analisa o material.
A cobertura de centro relatou o teor da publicação e registrou, em todos os textos, que não há prova da reunião nos termos descritos nem da suposta combinação entre os três. Veículos de esquerda e de direita reproduziram a mesma ressalva: até agora, trata-se de alegação do candidato, sem confirmação de autoridade nenhuma. Há convergência também sobre o pano de fundo, isto é, a proximidade política entre Moraes e Alcolumbre, o embate aberto entre Moraes e Mendonça dentro do tribunal e a convocação, feita pelo próprio candidato, do ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, que segundo a cobertura de centro reuniu 28 mil pessoas e transformou Mendonça em personagem exaltado no palanque.
As ênfases se separam a partir daí. Veículos de esquerda deram destaque ao outro lado da equação financeira: dois dias antes da acusação, Davi Alcolumbre citou em plenário o pedido de R$ 130 milhões feito a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e questionou por que apenas o ministro seria responsabilizado. Essa cobertura registra que o candidato nega irregularidade, mas se recusa de forma reiterada a detalhar como a negociação do longa foi conduzida, e trata o ataque ao presidente do Senado como manobra de quem está pressionado. Veículos de direita enfatizaram o conteúdo do relatório da Polícia Federal e a decisão de Moraes de acionar instrumentos do tribunal contra um colega, tratando a movimentação como reação contra quem conduzia a investigação. Nessa leitura, o ponto central é o contato do ministro com um banqueiro sob investigação, e a suspeita levantada pelo candidato aparece como hipótese plausível. A cobertura de centro fica no registro dos dois movimentos, sem endossar nenhum.
No dia seguinte à publicação, em agenda em São Carlos, no interior de São Paulo, o candidato ampliou o ataque e disse que Alcolumbre agiria por autoproteção, ao preferir proteger um amigo em vez da instituição. Voltou a cobrar que o Senado aprecie os pedidos de impeachment apresentados contra Moraes, afirmou que existem 54 requerimentos parados na Mesa da Casa e sustentou que faz defesa intransigente do Supremo como instituição, ainda que sem Moraes no tribunal.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma fonte descreve qual seria a ação ilegal mencionada pelo candidato, e não há confirmação de que a conversa entre Moraes e Alcolumbre tenha tratado dele. Os três acusados não responderam diretamente à alegação. Segue em aberto o desfecho no Supremo: Edson Fachin ainda avalia o pedido de Moraes contra Mendonça, e o plenário não decidiu se autoriza investigação formal sobre o próprio Moraes. Também não há prazo conhecido para que o Senado paute qualquer um dos pedidos de impeachment nem esclarecimento sobre o destino da negociação de R$ 130 milhões com o banqueiro.
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