Flávio Bolsonaro defende mudar a Constituição com Congresso mais à direita
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A leitura de esquerda vê na fala de Flávio Bolsonaro em Goiânia uma ameaça às conquistas sociais e às instituições, ao propor mudar a Constituição com um Congresso de maioria à direita.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, disse em Goiânia que o país lhe deu um Congresso mais à direita para mudar a Constituição. No mesmo dia, veio a público que ele e o coordenador de campanha, Rogério Marinho, conversaram com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
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2 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
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Esquerda e centro tratam Flávio Bolsonaro como candidato competitivo no segundo turno e mostram sua relação tensa com as instituições, em especial o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.
O candidato Flávio Bolsonaro disse em Goiânia que o Brasil lhe deu um Congresso mais à direita para mudar a Constituição. No mesmo dia, veio a público uma conversa reservada com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em que criticou Alexandre de Moraes.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, disse em Goiânia que o eleitor já lhe deu um Congresso mais à direita do que o atual, com maioria no Senado e na Câmara para eleger os presidentes das duas Casas. Segundo ele, essa força serve para mudar a Constituição, o que chamou de redemocratizar o país e fazer as instituições voltarem a respeitar a Constituição. A fala foi registrada nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, em plena disputa do segundo turno.
No mesmo dia, a cobertura de centro revelou bastidores da relação do candidato com o Judiciário. Cerca de um mês antes, Flávio teve uma conversa com o decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Segundo o relato, ele se mostrou convicto de que venceria a eleição presidencial e dedicou boa parte do encontro a críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Uma das medidas criticadas foi a proibição, imposta por Moraes em 13 de julho, de que Flávio se encontrasse com o pai, Jair Bolsonaro. A ordem valeria até 11 de outubro e decorreu da divulgação, por Flávio, de uma carta do pai. Depois do primeiro turno, a defesa de Jair Bolsonaro pediu a liberação do encontro, e Moraes enviou o pedido à Procuradoria-Geral da República.
O coordenador da campanha, Rogério Marinho, também se reuniu com Gilmar Mendes. De acordo com o relato, ele afirmou que, se Flávio vencer, não haverá espírito de revanchismo contra a corte e que mudanças estruturais, como ampliar o número de ministros, estão fora dos planos. O texto acrescenta que Marinho indicou considerar improvável que Moraes seja preservado de investigações ligadas a Daniel Vorcaro e de um processo de impeachment numa eventual vitória.
Veículos de esquerda enfatizaram o tom de ameaça institucional. Um artigo de opinião questionou quais pontos seriam alterados, se saúde, educação, Judiciário ou liberdades, e se haveria ataque a cláusulas pétreas. O autor lembrou que Flávio é filho do ex-presidente, descreveu a proposta como favorável a interesses do empresariado e da extrema direita, e criticou o que chamou de confusão de parte da classe média com os interesses da Faria Lima. Também citou que o candidato já anunciou que vai sabotar o fim da escala 6x1.
A cobertura de centro adotou tom factual e de bastidor, sem adjetivar. Mostrou um candidato que, em conversas reservadas, acena com moderação ao Supremo, enquanto em palanque defende mudança constitucional. Nenhum veículo de direita aparece neste conjunto de matérias, então não há aqui a leitura que esse campo faria da fala em Goiânia nem das conversas com o Supremo.
O que ainda não se sabe: quais artigos da Constituição Flávio pretende alterar, por qual rito e com que prazo. Também não está claro se Moraes liberará o encontro com Jair Bolsonaro antes de 11 de outubro, nem qual será a posição da Procuradoria-Geral da República. Não há resposta pública da campanha sobre o relato da conversa com Gilmar Mendes.
Moisés Mendes critica declaração de Flávio Bolsonaro sobre mudar a Constituição e aponta riscos às conquistas sociais e democráticas.

A conversa secreta de Flávio Bolsonaro com Gilmar Mendes
