O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, deixou de votar em 43% das deliberações nominais do Senado em 2026, segundo levantamento da Folha de S.Paulo nos registros da Casa. O percentual é mais do que o dobro da média dos 81 senadores, que ficou em 20%. Foram analisadas 49 votações nominais até o dia 22 de junho.
O levantamento considerou apenas as votações nominais, em que cada senador precisa registrar individualmente seu voto, e descartou as votações simbólicas, nas quais não é possível verificar a posição de cada parlamentar. Também ficaram de fora do cálculo as ausências justificadas por motivos de saúde, missões oficiais, atividade política, licença-paternidade ou outros dispositivos regimentais. Pelo critério adotado, contam tanto as faltas quanto os casos em que o senador registrou presença mas não votou.
A cobertura de centro, representada pela reportagem original da Folha, apresentou o dado de forma factual e detalhou a metodologia: houve votações nominais em 14 sessões entre 24 de fevereiro e 16 de junho. Flávio Bolsonaro esteve presente, mas não registrou voto, por exemplo, na análise da PEC que institui a Política Nacional de Apoio ao Transporte Rodoviário Profissional e no projeto que adequou o Orçamento à nova licença-paternidade. Em outra sessão, não votou o projeto que autoriza o uso de verba do Fundo Penitenciário Nacional para capacitação de servidores. O senador também faltou à sessão que aprovou indicações de embaixadores e do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Otto Lobo, e à que isentou entidades filantrópicas de tributos federais.
Veículos de esquerda, como o ICL Notícias, que republicou o levantamento, enfatizaram o contraste entre o mandato e a pré-campanha. Desde dezembro, quando foi escolhido pré-candidato a presidente pelo pai, Jair Bolsonaro, o senador mantém agenda intensa de compromissos eleitorais. Já viajou aos Estados Unidos, percorre o país para atos com apoiadores e articula palanques regionais, além de planejar um encontro com o presidente argentino Javier Milei. Nesse enquadramento, as ausências aparecem como priorização da disputa presidencial em detrimento das pautas legislativas, várias delas de alcance social.
Veículos de direita tendem a relativizar a singularização do pré-candidato, observando que ele não lidera o ranking nem está isolado. O senador que mais deixou de votar foi Romário (PL-RJ), ausente em 20 das 38 votações em que era titular, mesmo seguindo na América do Norte para comentar a Copa do Mundo pela CazéTV. Em seguida aparece Wilder Moraes (PL-GO), pré-candidato ao governo de Goiás, com 49% de ausências, e um empate entre Angelo Coronel (Republicanos-BA) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), ambos com 47%. Flávio Bolsonaro divide o quinto lugar com Cleitinho (Republicanos-MG), Eduardo Gomes (PL-TO), Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO) e Wellington Fagundes (PL-MT), todos com 43%. Soma-se a isso o fato de que parte das sessões do período pode ocorrer de forma semipresencial, com voto pelo celular.
Procurado por sua assessoria de imprensa na sexta-feira (26), por email e telefone, Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação da reportagem. O que ainda não se sabe é se o senador apresentará justificativa formal para as ausências, qual a proporção exata de faltas plenamente justificadas no seu caso e como o desempenho parlamentar repercutirá na corrida presidencial de 2026.