O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), derrotado na disputa pela Presidência, terminou o segundo turno com menos votos do que teve no primeiro em 585 dos 1.794 municípios do Nordeste, cerca de uma em cada três cidades da região. Até o momento, apenas um veículo cobriu esse levantamento no conjunto analisado, e a cobertura é de centro. Nenhum veículo de esquerda e nenhum veículo de direita cobriu o caso no conjunto analisado.
A cobertura de centro relatou que, quando se considera o percentual de votos válidos, Flávio perdeu participação em 1.197 municípios, dois terços do total, incluindo capitais como Salvador, Natal e Aracaju. No sentido oposto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), ampliou a margem sobre o adversário em 1.771 municípios nordestinos, cerca de 98,7% do total, percentual próximo aos 96,7% registrados no conjunto das cidades do país. Lula venceu nos nove estados da região e recebeu 69,37% dos votos válidos nordestinos no segundo turno, contra 30,63% de Flávio.
O Maranhão foi o estado com mais cidades em que o senador perdeu votos: 171 dos 217 municípios. Em Alagoas, a perda atingiu 72,5% das cidades; no Piauí, 49,1%; no Rio Grande do Norte, 46,7%. Na Bahia, segundo a reportagem, o apoio de ACM Neto, do União Brasil, candidato derrotado ao governo, ajudou a travar as perdas, e Flávio teve menos votos que no primeiro turno em apenas dez cidades. Lula virou o resultado em dez cidades nordestinas, sete delas em Alagoas, redutos do senador eleito Arthur Lira, do Progressistas (PP), que apoiou Flávio.
O texto relaciona o movimento a uma menor mobilização da direita depois do primeiro turno, quando foram eleitos deputados, senadores e governadores de oito estados da região. Relata também que piseiros e carreatas ficaram mais restritos às grandes cidades na etapa final. No Rio Grande do Norte, único estado nordestino com segundo turno para governador, o bolsonarismo ficou fora da disputa local, e Lula ampliou a vantagem em todas as cidades. Das cinco cidades onde o petista mais cresceu, quatro são potiguares. Em uma delas, Rafael Godeiro, a prefeita votou em Flávio no primeiro turno, passou a apoiar o candidato do PT ao governo no segundo, e o senador caiu de 1.268 para 988 votos.
A cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas, atribuiu o avanço de Lula à identificação histórica da região com o petista, à mobilização para o comparecimento e à capacidade de conquistar novos eleitores. Para ela, a influência de uma liderança local não equivale ao controle do voto presidencial.
Como só um veículo cobriu o levantamento, não há divergência entre lados a registrar. O texto não traz manifestação da campanha de Flávio nem do PL sobre a queda. Até a noite de 31 de outubro de 2026, quando a reportagem foi publicada, ela também não detalhava quanto da redução se devia a abstenção, a votos brancos e nulos ou à migração de eleitores para Lula.