O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro, abriu oficialmente sua campanha à Presidência da República no domingo, 16 de agosto de 2026, em um ato na orla da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele subiu ao palanque usando colete à prova de balas, ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e organizou o discurso em torno da segurança pública e de críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A cobertura de centro relatou que o evento, batizado de "Flávio Bolsonaro: O Resgate do Brasil", reuniu entre 7,8 mil e 9,9 mil pessoas no horário de pico, às 11h30, segundo o Monitor do Debate Político do Cebrap, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, em parceria com a organização More in Common. A estimativa central é de 8,9 mil participantes, com margem de erro de 12 pontos percentuais. A contagem parte de fotos aéreas feitas por drone e de um algoritmo de identificação de cabeças, o P2PNet, com o banco de imagens aberto para conferência por qualquer cidadão. No mesmo domingo, o comício de largada de Lula, no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, não teve medição: de acordo com essa mesma cobertura, a equipe da Presidência da República não autorizou o sobrevoo do drone no local.
Os relatos convergem sobre o conteúdo do palanque. Flávio disputou com o governo federal o tema da soberania nacional, associando-o ao controle territorial diante das facções: "Quem tem soberania aqui no Complexo do Alemão? O governo ou o Comando Vermelho?", perguntou. Defendeu enquadrar organizações criminosas como grupos terroristas, proposta que o governo Lula rejeita alegando riscos à soberania e consequências jurídicas e econômicas. Prometeu cortar gastos e cargos, sem detalhar como, e disse que o resto do país olha para Brasília com nojo. Também reconheceu o peso da comparação com o pai, ao afirmar que é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé. Uma gravação antiga de Jair Bolsonaro foi reproduzida durante o ato, que teve a presença do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, do líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante, do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, e do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas.
A divergência aparece no enquadramento do número. Veículos de esquerda destacaram a comparação histórica: os cerca de 9 mil participantes equivalem a aproximadamente 15% das 64 mil pessoas que Jair Bolsonaro levou à Avenida Atlântica em 7 de setembro de 2022 e a menos de um terço das 32 mil do ato pela anistia em 2024. Essa cobertura também deu espaço a um vídeo gerado por inteligência artificial em que o senador aparecia de sunga e faixa presidencial, publicado nas redes e depois removido, e ressalvou que, nas pesquisas de intenção de voto, Flávio aparece em disputa próxima com Lula. A cobertura de centro registrou ainda que o ato começou com espaços vazios na orla, perto do Posto 5, antes do pico do meio da manhã, e tratou o dado sobretudo pela metodologia. Até o momento, nenhum veículo de direita cobriu o ato no material analisado, de modo que a leitura que enfatizaria o simbolismo da largada em um reduto eleitoral, e não o tamanho da multidão, não está representada.
Ainda não se sabe qual foi o público total ao longo de todo o evento, já que a estimativa divulgada se refere a um único horário dentro de sete captações feitas entre 9h45 e 12h30. Também não há medição independente do comício de Lula no mesmo dia, o que impede comparação direta entre as duas largadas, nem explicação pública da Presidência sobre a negativa de sobrevoo. As medidas de corte de gastos e cargos anunciadas do palanque seguem sem detalhamento, e não houve resposta da campanha às comparações de público divulgadas.