Boato sobre Nossa Senhora Aparecida acirra disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
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Uma notícia falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro (PL) pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil tomou as redes a partir de 24 de setembro e mobilizou as duas principais campanhas presidenciais. A história se apoia num projeto de lei de 2007, arquivado em 2008, do então deputado Victório Galli. Flávio nega, acionou a Justiça Eleitoral e obteve do ministro André Mendonça uma ordem de remoção de cerca de 1.100 links, depois suspensa por Flávio Dino e restabelecida por Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal. Lula e aliados passaram a acenar ao eleitorado católico.
Veículos de esquerda destacam a defesa que Lula fez da padroeira e do respeito a todas as religiões, inclusive as de matriz africana, e lembram que o projeto de 2007 que pretendia restringir o título de Nossa Senhora Aparecida aos católicos foi apresentado por Victório Galli, aliado de Jair Bolsonaro.
Veículos de direita enfatizam que a história é falsa, que teria começado com um influenciador governista e se espalhado por perfis de esquerda, e que Lula tentou explorá-la numa entrevista na televisão até ser contestado ao vivo com a informação de que se tratava de notícia falsa.
12 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
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Uma notícia falsa de que Flávio Bolsonaro tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil mobilizou as campanhas na reta final do primeiro turno. Flávio nega, Lula acena aos católicos, e ministros do TSE e do STF divergem sobre a remoção de cerca de 1.100 links.
Uma notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida entrou no centro da disputa presidencial a poucos dias do primeiro turno. A partir de 24 de setembro, publicações nas redes passaram a afirmar que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal, pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Flávio nega. A história se apoia num projeto de lei apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Victório Galli, que queria restringir o título aos brasileiros católicos e foi arquivado em 2008.
A cobertura de centro reconstruiu a sequência judicial. A campanha de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral, e o ministro André Mendonça considerou a associação notoriamente inverídica, mandando remover cerca de 1.100 links, inclusive conteúdos considerados equivalentes. O humorista Antonio Tabet recorreu ao Supremo Tribunal Federal, e o ministro Flávio Dino restabeleceu a postagem por não citar Flávio nominalmente. Na noite de 28 de setembro, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e fez voltar a valer a ordem do Tribunal Superior Eleitoral. Mendonça depois liberou uma postagem da deputada Erika Hilton, e o plenário virtual da corte eleitoral julga o caso em 30 de setembro.
As campanhas reagiram. Flávio publicou vídeos de desmentido, acusou pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de espalhar o boato e ergueu uma imagem da santa em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas. A entidade negou e afirmou que mentira não se combate com outra mentira. Lula disse em Belém e em Fortaleza que Nossa Senhora Aparecida seguirá padroeira enquanto ele for presidente. Dados de consultorias citados pela cobertura de centro mostram que a repercussão caiu mais de 50% no fim de semana e ficou abaixo do caso do filme Dark Horse.
Os enquadramentos divergem. Veículos de esquerda destacaram a defesa de Lula do respeito a todas as religiões, inclusive as de matriz africana, lembraram que Galli foi aliado de Jair Bolsonaro e reproduziram a primeira-dama Janja pedindo proteção contra falsos profetas da fé. Veículos de direita enfatizaram que a história é falsa, que teria partido de um influenciador governista e de perfis de esquerda, e que Lula tentou explorá-la numa entrevista até ser contestado ao vivo, respondendo que não sabia se era notícia falsa. Parte da cobertura de centro questionou o alcance da ordem de remoção, que atingiu sátira e conteúdo sobre a história do projeto, e outra parte explicou por que uma fala de agosto de Flávio, sobre decretar que o Brasil é de Jesus Cristo, alimentou a desconfiança do eleitorado católico.
Ainda não se sabe se a controvérsia mudou intenções de voto: nenhuma pesquisa mediu esse efeito. Também está em aberto como o plenário do Supremo vai resolver o choque entre as decisões de Dino e Fux, e qual será o resultado do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral.
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