Boato sobre Nossa Senhora Aparecida atinge Flávio Bolsonaro e mobiliza Lula
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- A decisão do ministro Flávio Dino liberou publicações sobre o tema que estavam sob ordem de remoção.
- As buscas por Nossa Senhora Aparecida passaram de 15 mil para 69 mil por dia em 25 de setembro, indicando corrida por informação em plena reta final do primeiro turno.
- O eleitorado católico virou alvo direto das duas campanhas, com atos e publicações de aliados de Lula e nove vídeos de desmentido do senador.
Onde os lados divergem
- Veículos de direita centram a história na origem do boato em perfis de esquerda e na recusa de Lula em admitir que se tratava de fake news.
- A cobertura de centro desloca o foco para a medição do alcance e conclui que o episódio teve impacto menor que a crise anterior do áudio sobre o financiamento de um filme.
- Há divergência de substância sobre o tamanho do dano eleitoral: 1 milhão de postagens em três dias, de um lado, contra queda de 591 mil para 273 mil menções diárias, de outro.
Onde os lados concordam
As duas frentes de cobertura tratam a informação como comprovadamente falsa, registram que o projeto citado é de 2007 e foi arquivado em 2008, que Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral e gravou vídeos de desmentido, e que o tema virou instrumento de campanha às vésperas do primeiro turno.
O que ainda está incerto
- Não há apuração concluída sobre quem coordenou ou financiou a disseminação do conteúdo falso.
- Não se sabe o desfecho das ações na Justiça Eleitoral nem se haverá responsabilização.
- Nenhuma fonte mede o efeito do episódio sobre a intenção de voto entre eleitores católicos.
Uma informação falsa sobre a padroeira do Brasil dominou a reta final do primeiro turno, levou o caso ao Supremo Tribunal Federal e colocou as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro em disputa pelo eleitorado católico. Os números de alcance, porém, mostram um episódio concentrado em uma única rede social e já em queda no fim de semana.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou em entrevista de televisão exibida no domingo, 27 de setembro de 2026, que mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável e que a santa seguirá padroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé. A fala veio depois de uma onda de publicações falsas segundo as quais o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, apoiaria a retirada desse título. Confrontado durante a entrevista com a informação de que o conteúdo era falso, Lula respondeu que não sabia se era fake news e que o dado concreto é que o assunto circulava com força nas redes sociais.
O boato passou a circular na quinta-feira, 24 de setembro, e chegou ao ponto mais alto na sexta-feira, 25, quando o caso foi levado ao Tribunal Superior Eleitoral e uma ordem de remoção de conteúdos foi expedida. No domingo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, anulou a decisão do ministro André Mendonça que proibia publicações sobre o tema. O projeto de lei mencionado nas postagens existiu, mas foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli e arquivado no ano seguinte, sem qualquer relação com a campanha atual.
Os dois campos de cobertura reunidos nesta história convergem no essencial: a informação é falsa, a campanha de Flávio Bolsonaro ficou na defensiva na reta final do primeiro turno, o senador acionou a Justiça Eleitoral e publicou nove vídeos de desmentido, e aliados de Lula, entre eles a primeira-dama Janja, o vice Geraldo Alckmin e os candidatos Fernando Haddad e Simone Tebet, usaram o tema em publicações e atos públicos para acenar ao eleitorado católico. Uma emissora de televisão chegou a veicular reportagem sobre uma suposta reação da Igreja Católica ao caso e, horas depois, publicou correção pedindo desculpas pelo erro.
A diferença de ângulo é nítida. Veículos de direita enfatizaram a origem do conteúdo e a postura do presidente: a disseminação teria partido de perfis de esquerda, com monitoramento da campanha atingida apontando uma postagem de influenciador governista como ponto de partida, e o senador acusou o PT de ter levantado a história com ajuda de gente de dentro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, entidade que nega participação e afirmou que mentira não se combate com outra mentira. Nessa leitura, a recusa de Lula em reconhecer a falsidade da informação é o fato central, e o levantamento que aponta 1 milhão de postagens em menos de três dias serve como medida do estrago.
A cobertura de centro concentrou-se em medir o fenômeno. Três consultorias de inteligência de dados compararam o episódio com a crise anterior do áudio em que o senador pede dinheiro a um banqueiro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. No X, o boato sobre a padroeira chegou a 2.310 menções por milhão de palavras, 36,5% do teto estabelecido pelo caso anterior; no WhatsApp ficou em 9,4% e no TikTok em 14,6%, enquanto na televisão e no rádio não passou da faixa baixa. As menções diárias caíram de 591 mil na sexta-feira para 399 mil no sábado e 273 mil no domingo. As buscas por Nossa Senhora Aparecida no Google saltaram de uma média de 15 mil por dia para 69 mil na sexta, alta de 358,7%. Especialistas ouvidos avaliam que o perfil politizado do X pode ter superdimensionado o tamanho da crise, já que a rede é acessada diariamente por 16% dos usuários de internet no país, contra 91% do WhatsApp.
Veículos de esquerda não figuram no conjunto de matérias reunidas nesta história, e o ângulo que esse campo costuma destacar, a responsabilização de quem produz e amplifica desinformação e os limites da remoção preventiva de conteúdo, aparece aqui apenas pelas falas dos próprios personagens e pelos números de alcance.
O que ainda não se sabe é quem coordenou a disseminação e se houve financiamento por trás dela, qual será o desfecho das ações na Justiça Eleitoral, se a acusação de envolvimento de integrantes da entidade católica terá apuração, e qual o efeito real do episódio sobre a intenção de voto do eleitorado católico na reta final do primeiro turno.
Fontes

Conteúdo que vincula falsamente Flávio Bolsonaro à retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira foi distribuído por perfis de esquerda nas redes, mesmo após desmentido de rede de TV

Repercussão sobre a santa ficou concentrada principalmente no X e caiu mais de 50% no fim de semana