O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), viajou a Washington para participar, nos dias 6 e 7 de julho, de uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de aplicar uma tarifa de 25% a produtos brasileiros. Antes da viagem, o senador enviou ao órgão um documento de 86 páginas pedindo a suspensão da medida por até 180 dias e defendendo que o sistema de pagamentos Pix fique fora da disputa comercial entre os dois países.
A cobertura de centro relatou que Flávio discursou por cinco minutos no segundo dia da audiência, criticando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmando que a tarifa 'beneficiaria' politicamente o petista às vésperas da eleição de outubro. O evento reuniu dezenas de representantes de entidades brasileiras, como a Confederação Nacional da Indústria, a Fiesp e a CNA, e de setores americanos ligados ao etanol e à pecuária, além do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo. O governo brasileiro optou por não participar ativamente da audiência, enviando apenas observadores, e rebateu formalmente as acusações do USTR por meio do Itamaraty, argumentando que a investigação carece de base legal para justificar medidas unilaterais.
Veículos de esquerda destacaram a contradição entre o discurso de Flávio contra as tarifas e o papel de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que já havia pedido publicamente a sanção de autoridades brasileiras e a inclusão do Pix na disputa comercial para pressionar a Justiça durante o julgamento do pai, Jair Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal. Essa cobertura também apontou que a assessoria do senador evitou divulgar fotos que mostrassem Eduardo ao seu lado durante a audiência, e assinalou que Flávio omitiu da fala temas como desmatamento e propriedade intelectual, citados na investigação americana. Já a cobertura de direita enfatizou que o senador buscava defender interesses econômicos brasileiros diante de uma investigação que, segundo o USTR, também mirava decisões do Supremo Tribunal Federal sobre remoção de conteúdo em redes sociais, e apresentou a viagem como resposta a uma suposta inércia do governo Lula diante do tarifaço.
Até a publicação desta reportagem, não há confirmação sobre se o pedido de pausa de 180 dias será acatado pelo USTR, nem indícios claros de que as negociações bilaterais em curso vão evitar a aplicação da tarifa. A decisão final do governo americano sobre a nova sobretaxa está marcada para o dia 15 de julho de 2026.