O governo federal abriu nesta segunda-feira, 24 de agosto, uma força-tarefa nacional de coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas. A mobilização vai até sexta-feira, 28, e disponibiliza 334 pontos de atendimento distribuídos pelas 27 unidades da Federação, em parceria com as secretarias estaduais de segurança pública. A coordenação é do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e esta é a quarta edição da campanha.
O material genético doado alimenta os bancos de perfis estaduais, o do Distrito Federal e o banco nacional. Com isso, torna-se possível cruzar o DNA de um familiar com registros de pessoas encontradas vivas ou mortas cuja identidade permanece desconhecida. Segundo a coordenação da campanha, quando há coincidência entre perfis, a instituição responsável entra em contato diretamente com o familiar que doou o material.
As regras de participação são as mesmas em todo o país. É preciso levar um documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência do desaparecimento: número do registro, estado em que foi feito e delegacia responsável. A coleta é gratuita, voluntária e indolor. O Ministério da Justiça e Segurança Pública recomenda que compareçam preferencialmente familiares de primeiro grau, como pai, mãe, irmãos ou filhos, porque a compatibilidade genética é maior nesses casos.
Os dois lados que cobriram o anúncio convergem no essencial. Veículos de esquerda destacaram a dimensão de política pública da iniciativa, a gratuidade do exame e o alcance nacional da rede de coleta, associando a campanha ao esforço do Estado de dar resposta a famílias que convivem há anos com a ausência de informação. A cobertura de centro reproduziu o mesmo conjunto de dados operacionais e acrescentou ênfase à confidencialidade do contato com o familiar doador e à qualificação dos profissionais que fazem a coleta. Não houve, até o momento, cobertura de veículos de direita sobre a mobilização, de modo que o ângulo mais associado a esse campo, a cobrança por indicadores de eficácia e por controle do uso de dados genéticos por órgãos públicos, não aparece no material disponível.
As divergências entre as duas coberturas são de precisão, não de enquadramento. Uma delas informou corretamente que a semana de coleta ocorre em agosto, ancorada na data de divulgação da campanha; a outra descreveu o início como 24 de junho, o que não corresponde ao calendário anunciado pelo próprio ministério. Também há diferença de tom: a cobertura de esquerda manteve a redação da nota oficial como declaração atribuída, enquanto o texto de centro incorporou avaliações favoráveis à ferramenta, chamada de fundamental para a resolução de casos antigos e recentes, sem apresentar dado que sustente a afirmação.
O que ainda não se sabe é o mais relevante para medir o alcance da iniciativa. Nenhuma das coberturas informa quantas identificações as três edições anteriores da força-tarefa produziram, quantos perfis já estão armazenados no banco nacional, nem qual o prazo médio entre a doação do material e um eventual resultado de comparação. Também não há detalhamento sobre as regras de guarda, sigilo e descarte dos perfis genéticos coletados, nem sobre a distribuição dos 334 pontos entre capitais e municípios do interior, informação decisiva para famílias que moram longe dos grandes centros.