A disputa pelo governo de Pernambuco somou dois capítulos em 48 horas. Em 25 de agosto, o instituto Quaest divulgou pesquisa que aponta a governadora Raquel Lyra, do PSD, com 44% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% do ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB. No dia seguinte, Campos publicou um vídeo nas redes sociais em que acusa a gestão estadual de manter um chamado gabinete do ódio para atacar adversários políticos. A governadora negou a acusação em agenda de campanha no Recife.
A cobertura de centro concentrou-se nos números. O levantamento ouviu 1.302 eleitores de 16 anos ou mais entre 21 e 24 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo PE-07828/2026. Na simulação de segundo turno, Lyra aparece com 47% e Campos com 37%. Na pesquisa espontânea, em que os nomes não são apresentados ao entrevistado, a governadora tem 33% e o ex-prefeito, 22%, com 40% de indecisos. Ivan Moraes, do PSOL, marca 1% no cenário estimulado, e os demais concorrentes não pontuam. O diretor do instituto, Felipe Nunes, atribuiu a vantagem à conversão de aprovação em voto: 68% dos entrevistados aprovam a gestão estadual e 24% desaprovam. A rejeição, medida pela resposta conhece e não votaria, é de 34% para Lyra e de 40% para Campos. Saúde, com 33%, e violência, com 21%, lideram a lista de principais problemas do estado. Metade dos entrevistados prefere um governador aliado de Luiz Inácio Lula da Silva e 17% preferem um aliado de Flávio Bolsonaro.
Veículos de esquerda deslocaram o foco da pesquisa para a denúncia. Nessa cobertura, Campos afirma que vem apontando há mais de um ano a existência de uma estrutura que ataca ele, seus aliados, sua família e sua mulher, e sustenta que uma reportagem de televisão exibida na véspera reforçaria as suspeitas. Segundo esse relato, um servidor teria contado que decisões eram tomadas dentro do Palácio do Governo, e a reportagem levantou a hipótese de que contratos de publicidade firmados por órgãos estaduais com um portal de conteúdo teriam financiado a produção e a distribuição de material difamatório. Um funcionário da Caixa Econômica Federal cedido ao governo estadual é citado como coordenador de páginas de ataque. O portal negou vínculo com qualquer gabinete do ódio e afirmou seguir critérios editoriais próprios e as normas legais de contratação. Raquel Lyra disse que o servidor citado já foi desligado e afirmou que não faz política dessa forma, acrescentando que a eleição não é um vale-tudo. Campos informou que sua equipe jurídica avalia medidas.
Até o momento, veículos de direita não publicaram cobertura própria do episódio no material reunido, o que deixa sem contraponto explícito a leitura de que a acusação seria movimento de campanha de um candidato atrás nas pesquisas. A divergência entre as coberturas disponíveis está menos nos fatos e mais no peso atribuído a cada um: a cobertura de centro trata a denúncia como episódio da corrida estadual e mantém a pesquisa no primeiro plano, enquanto a cobertura de esquerda a apresenta como possível emprego de dinheiro público em ataques a opositores.
Ainda não se sabe se algum órgão de controle abriu investigação formal sobre os contratos citados, qual é o valor e o objeto desses contratos, quem é o servidor desligado e em que data isso ocorreu, nem se as acusações terão efeito mensurável nas próximas rodadas de pesquisa. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.