A disputa pelo governo de Pernambuco chegou ao fim de julho de 2026 com três pesquisas seguidas apontando a mesma direção: a governadora Raquel Lyra, do PSD, aparece numericamente à frente do ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB, mas sempre dentro ou no limite da margem de erro. No levantamento Genial/Quaest divulgado em 28 de julho, ela registrou 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% dele, e 45% a 39% em uma simulação de segundo turno. Três dias depois, o Datafolha apontou 48% a 42% no primeiro turno e 49% a 45% no segundo. No mesmo 31 de julho, a Real Time Big Data mediu 45% a 44%, a menor distância entre os dois em todo o período.
Os números são resultado de metodologias declaradas e registradas na Justiça Eleitoral. O primeiro instituto ouviu 900 eleitores entre 22 e 26 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e registro PE-09649/2026. O segundo entrevistou 1.022 pessoas entre 28 e 30 de julho, também com três pontos de margem, sob o número PE-04519/2026. O terceiro ouviu 1.600 eleitores entre 27 e 30 de julho, com margem de dois pontos e protocolo PE-08413/2026. Em todos os casos, o nível de confiança é de 95%.
Há convergência entre os três blocos de cobertura sobre o essencial. A cobertura de centro concentrou-se em reproduzir os percentuais, repetir a ressalva do empate técnico e detalhar os recortes de eleitorado, incluindo margens de erro específicas por subgrupo, além de trazer cientistas políticos para explicar o movimento. Segundo o diretor de um dos institutos e três pesquisadores ouvidos, a mudança tem duas causas principais: a alta expressiva da aprovação do governo estadual, que subiu de 62% em abril para 68% em julho, com a desaprovação caindo de 35% para 23%, e o período em que o adversário deixou a prefeitura do Recife para disputar o governo, deixando a governadora sozinha na vitrine do Executivo.
A divergência aparece na leitura política dos mesmos dados. Veículos de direita enfatizaram a dimensão da virada, lembrando que em abril o ex-prefeito liderava o segundo turno por 46% a 38%, e destacaram a erosão do apoio a ele dentro do próprio campo: entre eleitores petistas, sua vantagem caiu de 35 para 22 pontos, e entre eleitores de esquerda sem vínculo partidário, de 42 para 7 pontos. Nessa chave, a eficácia da estratégia da incumbente é atribuída à avaliação positiva da administração. Uma dessas coberturas foi além dos números e afirmou, com base em correligionários não identificados, que o resultado provocou um susto na campanha adversária.
Veículos de esquerda destacaram o movimento oposto na série mais recente: entre maio e o fim de julho, a diferença no segundo turno caiu de sete para quatro pontos em um dos institutos, e outro levantamento apontou apenas um ponto de distância. Nessa leitura, o resultado reforça a viabilidade da candidatura do PSB e funciona como alerta para a governadora. A ênfase recai sobre a base social do ex-prefeito, que lidera entre eleitores com ensino fundamental, por 54% a 40%, e entre quem votou no presidente da República em 2022, por 57% a 40%, além de empatar entre as mulheres, com 47% a 46%. A governadora, por sua vez, tem vantagem entre evangélicos, homens e eleitores do ex-presidente, o que reproduz no estado o desenho da polarização nacional.
O ambiente partidário também se mexeu na mesma semana. O ex-prefeito afirmou que o presidente da República irá a Pernambuco durante o primeiro turno, contrariando a expectativa da equipe adversária, e disse que veiculará peças de campanha ao lado dele. Na direção contrária, o presidente do diretório municipal do PT no Recife pediu licença do cargo para apoiar a governadora, alegando perseguição do candidato apoiado oficialmente por seu partido. Na disputa pelas duas vagas ao Senado, Marília Arraes, do PDT, lidera com 18%, em empate técnico com Humberto Costa, do PT, que oscila entre 14% e 15%.
O que ainda não se sabe é como esse quadro se comporta depois do início oficial da campanha, marcado para 16 de agosto, quando começa a propaganda eleitoral e a exposição dos candidatos muda de patamar. Também não há medição posterior que concilie a diferença de seis pontos apontada por um instituto com a distância de apenas um ponto registrada por outro na mesma semana. Nenhuma pesquisa até aqui mensurou o efeito concreto da presença do presidente no palanque estadual nem o impacto do racha local no partido governista.