Dani Cunha destina emenda que banca show de Ana Castela em São Fidélis
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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A cantora Ana Castela receberá R$ 850 mil para se apresentar na 14ª Expo São Fidélis, no norte do Rio de Janeiro, em 27 de agosto de 2026. O pagamento sai de uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão indicada pela deputada federal Dani Cunha, hoje no Partido Liberal, para a Secretaria de Cultura e Turismo do município, administrado pelo prefeito José William, também do PL. Do valor pago à artista, R$ 50 mil são contrapartida da prefeitura. Em nota, a deputada afirmou que destina a emenda ao município e que o uso do dinheiro é decisão do prefeito. Prefeitura e assessoria da cantora não responderam. O caso ganhou repercussão dias depois de a artista posar ao lado do deputado Nikolas Ferreira fazendo o número 22 na Festa do Peão de Barretos.
O caso mostra por que o modelo de emendas de comissão precisa de regra clara: a deputada federal Dani Cunha indicou R$ 1 milhão para turismo em São Fidélis e a prefeitura, com autonomia administrativa, decidiu aplicar R$ 850 mil no cachê de Ana Castela para a Expo e a festa do padroeiro.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de esquerda.
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Todos os lados aceitam os fatos básicos: a emenda de R$ 1 milhão foi indicada pela deputada federal Dani Cunha à Secretaria de Cultura e Turismo de São Fidélis, e a prefeitura, comandada por José William, decidiu aplicar R$ 850 mil no cachê de Ana Castela, com R$ 50 mil de contrapartida municipal. Nenhuma cobertura contesta a autenticidade do repasse nem a autoria da indicação.
A deputada federal Dani Cunha indicou uma emenda de R$ 1 milhão para o turismo de São Fidélis, no norte fluminense. A prefeitura aplicou R$ 850 mil no cachê de um show de Ana Castela, dias depois de a cantora ser fotografada com o deputado Nikolas Ferreira. Veja como esquerda, centro e direita enquadraram o uso do dinheiro público.
A cantora sertaneja Ana Castela recebe R$ 850 mil para se apresentar na 14ª Expo São Fidélis, no norte do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026. O dinheiro vem de uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão indicada pela deputada federal Dani Cunha, hoje no Partido Liberal (PL), à Secretaria de Cultura e Turismo do município, que tem cerca de 40 mil habitantes e é administrado pelo prefeito José William, também do PL. A prefeitura projeta público de até 4.000 pessoas na noite do show, atração principal da 244ª Festa do Padroeiro São Fidélis. Do valor pago à artista, R$ 50 mil correspondem a contrapartida da própria prefeitura; o restante é recurso federal.
A cobertura de centro documentou o repasse com registros de transferência do Portal da Transparência do município e publicou a íntegra da resposta da parlamentar. Em nota, Dani Cunha afirmou que o deputado destina a emenda ao município e o prefeito decide fazer o que quiser com ela, e disse ter escolhido a categoria turismo porque foi o que o partido liberou. A Prefeitura de São Fidélis e a assessoria da cantora foram procuradas e não responderam até a publicação das reportagens. Esses mesmos veículos registraram que a emenda foi indicada em 2025, quando a deputada ainda estava no União Brasil, e que ela é filha de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, suspeito pela Polícia Federal de participar da destinação de emendas sem ter mandato eletivo. Em 23 de agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou emendas cuja indicação tenha tido interferência de pessoas sem mandato. No mês anterior, o mesmo ministro determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens do ex-parlamentar, valor que a corporação policial aponta como repassado por ele a prefeituras por meio de emendas de comissão.
O caso chegou ao debate público colado a outro episódio. No domingo, 23 de agosto, a cantora foi fotografada na Festa do Peão de Barretos ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com os dois fazendo o número 22 com as mãos, legenda eleitoral do partido. A imagem circulou nas redes sociais e dividiu leitores antes mesmo de o valor do cachê vir a público.
As divergências de cobertura aparecem justamente aí. Veículos de esquerda enquadraram a repercussão pelo histórico do parlamentar em relação à população LGBTQIA+, recuperando o discurso de 2023 em que ele subiu à tribuna da Câmara de peruca, apresentando-se como deputada Nicole, gesto criticado por parlamentares e entidades por ironizar mulheres trans. Nesse enquadramento, o afastamento público de artistas como Gloria Groove e Pabllo Vittar, que deixaram de seguir a sertaneja nas redes, aparece como reação legítima de quem se sente atingido. Veículos de direita trataram o mesmo episódio pelo ângulo oposto: destacaram que a atriz Luana Piovani se referiu à cantora em termos pejorativos e sublinharam que posar ao lado de um político não equivale a declaração formal de apoio, apresentando a reação das redes como punição a quem se aproxima do campo conservador.
Sobre o dinheiro público, a divergência é menos de fato e mais de ênfase. A leitura à esquerda concentra-se na origem do recurso e na cadeia de responsabilidade difusa, em que a parlamentar indica, o prefeito gasta e nenhum dos dois responde pelo destino final. A leitura à direita aceita o mesmo desenho, mas transfere o foco à autonomia do município e ao retorno econômico esperado para comércio e hotelaria locais, apontando o problema para a falta de teto e de prestação de contas por item nas emendas de comissão. Todos os lados convergem em dois pontos: o valor foi pago com recurso federal e a decisão sobre aplicá-lo no cachê partiu da prefeitura.
O que ainda não se sabe é como a prefeitura contratou a atração e se houve procedimento licitatório, se algum órgão de controle foi acionado, se a decisão recente do Supremo Tribunal Federal sobre emendas alcança este repasse específico e qual o retorno financeiro efetivo do evento para a cidade. Prefeitura, secretaria municipal e a equipe da artista seguem sem se manifestar.
Cantora se apresentará no interior do RJ; emenda de R$ 1 mi foi indicada pela deputada Dani Cunha para a Expo São Fidélis. Leia no Poder360.

A atriz Luana Piovani criticou a cantora Ana Castela após a artista publicar uma foto ao lado do deputado federal

A cantora Gloria Groove se junta a Pabllo Vittar, que também deixou de seguir a sertaneja após encontro com o deputado federal


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