O governador do estado mexicano de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, anunciou no sábado, 22 de agosto, que voltará a se afastar do cargo, um dia depois de ter retomado as funções por decisão própria. Em documento divulgado na rede social X, ele pediu ao Congresso estadual uma licença temporária por prazo indeterminado, superior a 30 dias. O legislativo de Sinaloa ainda não marcou a sessão extraordinária que deve analisar o pedido e nomear um governador interino.
Rocha Moya tem 77 anos, governa Sinaloa desde 2021 e é filiado ao Morena, partido no poder no México. Ele é procurado pela Justiça dos Estados Unidos: a promotoria de Nova York o acusa, junto de outros nove funcionários mexicanos, de associação com o Cartel de Sinaloa para distribuir entorpecentes em território americano. Segundo os promotores, a facção conhecida como Los Chapitos teria ajudado a viabilizar sua eleição, em troca de apoio político e propina. É a primeira vez que a Justiça americana mira políticos mexicanos no exercício do mandato. O governador nega as acusações. Foi por causa desse processo que ele se afastou pela primeira vez, em 1º de maio, enquanto o Ministério Público mexicano examinava o caso.
Toda a cobertura converge nos mesmos fatos. O retorno de sexta-feira surpreendeu o governo federal mexicano. A presidente Claudia Sheinbaum disse que soube da decisão pela publicação do próprio governador e criticou, sem citar nomes, quem coloca o interesse pessoal acima do país. O Morena, líderes parlamentares e o Ministério do Interior se distanciaram do gesto, classificado pela pasta como de caráter exclusivamente pessoal. A cobertura de centro relatou ainda que o México vem se recusando a prender ou extraditar Rocha Moya, sob o argumento de que Washington não apresentou evidência suficiente, e que o Departamento de Estado americano não comentou o caso.
As ênfases mudam conforme o campo. Veículos de direita destacaram o ângulo do confronto com Washington: reproduziram a queixa recorrente do presidente Donald Trump de que o México é governado por políticos ligados ao tráfico de drogas, sua oferta de enviar tropas americanas contra o crime organizado e a avaliação de que o episódio expõe atritos internos do governismo, já que o governador é próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. A cobertura de esquerda no conjunto é escassa, e a leitura que emerge desse campo é a que o próprio acusado apresenta: a de que as investigações mexicanas não encontraram provas contra ele e a de que a ofensiva americana tem motivação política, atingindo a soberania do México e o movimento de esquerda liderado por Claudia Sheinbaum, que rejeita qualquer intervenção militar estrangeira. A cobertura de centro manteve o eixo no procedimento: prazos, licença, sucessão interina e ausência de evidências públicas.
O que ainda não se sabe é quando o Congresso de Sinaloa vai votar a licença e quem assumirá o governo interino. Também não foram divulgadas as evidências que sustentam o indiciamento americano, nem as conclusões formais da investigação mexicana que, segundo Rocha Moya, o inocentaram. Não há informação sobre pedido formal de extradição em andamento, nem sobre como o caso afeta as negociações de segurança entre os dois países.