A um mês do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro de 2026, quatro institutos divulgaram em cinco dias levantamentos sobre a avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Todos chegaram ao mesmo desenho: a desaprovação supera a aprovação, com diferenças que vão de três a seis pontos percentuais.
O Datafolha, publicado em 3 de setembro, registrou 51% de desaprovação e 45% de aprovação, ante 50% e 47% na rodada de 21 de agosto. Com isso, a distância entre os dois índices dobrou de três para seis pontos. A Quaest, divulgada em 2 de setembro, apontou 48% de desaprovação e 45% de aprovação, com 7% de entrevistados que não souberam responder, números praticamente idênticos aos de 14 de agosto. O Real Time Big Data, de 1º de setembro, mediu 51% de desaprovação contra 45% de aprovação. O Nexus, contratado pelo banco BTG Pactual e divulgado em 31 de agosto, encontrou 51% de desaprovação e 46% de aprovação, além de 46% de avaliação negativa contra 37% de avaliação positiva.
Há convergência também na metodologia. As quatro pesquisas ouviram entre 2.000 e 2.005 eleitores, têm margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral. Nos recortes de avaliação qualitativa, a nota negativa é maior que a positiva em todos os institutos: 42% consideram o governo ruim ou péssimo contra 31% de ótimo ou bom no Datafolha, 39% contra 27% no Real Time Big Data e 37% contra 35% na Quaest. O Datafolha registra ainda que esse patamar é semelhante ao de Jair Bolsonaro no mesmo ponto do mandato, em 2022, quando o então presidente também disputava a reeleição.
A cobertura de esquerda enfatizou a estabilidade dos índices. Destacou que as oscilações da Quaest em relação a agosto ficaram dentro da margem de erro e abriu a leitura pelo percentual de aprovação antes do de desaprovação, tratando o quadro como um retrato estacionado a um mês do pleito. A cobertura de centro deu peso ao conjunto dos números e às comparações, apresentando a variação de cada instituto em relação à própria rodada anterior, os cenários de primeiro e de segundo turnos e a percepção econômica dos entrevistados, entre eles os 67% que dizem ter visto os preços dos alimentos subirem no último mês e os 49% que avaliam que a economia piorou em doze meses. Veículos de direita não apareceram nesta rodada de cobertura; pelos dados disponíveis, a leitura provável desse campo seria concentrar-se na desaprovação de 51% medida por três dos quatro institutos, na avaliação negativa majoritária e na semelhança com o desempenho de Bolsonaro em 2022.
Nos cenários de voto, os institutos mantêm Lula à frente no primeiro turno, com 38% no Datafolha e no Real Time Big Data e 37% na Quaest, contra 33%, 29% e 29% de Flávio Bolsonaro, respectivamente. No segundo turno, os três levantamentos apontam empate técnico entre os dois nomes, dentro da margem de erro.
O que ainda não se sabe é se a diferença aberta pelo Datafolha indica movimento real ou ruído estatístico, já que a variação está no limite da margem de erro e os demais institutos não registraram a mesma abertura. Também não há, no material divulgado, recortes por região, renda e escolaridade que permitam identificar onde a desaprovação cresce, nem série que isole o efeito da percepção sobre preços de alimentos na avaliação do governo. Os próximos levantamentos, encomendados rodada a rodada até a véspera do primeiro turno, é que devem mostrar se o quadro se move.