O instituto Real Time Big Data divulgou em 1º de setembro de 2026 uma nova rodada de intenção de voto para a Presidência da República, e o levantamento desenhou um quadro incomum: liderança confortável de um lado no primeiro turno, equilíbrio absoluto no segundo. No cenário estimulado com todos os nomes registrados, incluindo Pablo Marçal (PRTB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 38% das intenções de voto, contra 29% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O escritor Augusto Cury (Avante) se firma como terceira força, com 10%, seguido por Renan Santos (Missão), com 6%, e pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 4%. No cenário sem Marçal, Lula mantém os 38%, Flávio Bolsonaro vai a 30% e Cury chega a 11%.
A simulação de segundo turno entre os dois primeiros colocados devolve 44% para cada um, com 9% de votos brancos e nulos e 3% de indecisos. O instituto testou ainda outros quatro adversários. Ronaldo Caiado aparece numericamente à frente do presidente, por 45% a 43%. Lula registra 43% contra 40% de Romeu Zema (Novo), 44% contra 40% de Pablo Marçal e 44% contra 37% de Renan Santos. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, os confrontos com Caiado, Zema e Marçal configuram empate técnico. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 27 e 31 de agosto, por telefone e com entrevistadores humanos, tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03490/2026.
Toda a cobertura converge nos números e na metodologia, e também no ponto em que o levantamento é mais claro: os dois nomes que dominam a disputa carregam o mesmo peso de resistência. Metade do eleitorado, 50%, diz conhecer Lula e não votar nele, e exatamente os mesmos 50% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. Há convergência ainda no retrato regional. No Nordeste, o presidente marca 56% contra 21% do senador. No Sul, a relação se inverte, com 39% para Flávio Bolsonaro e 27% para Lula. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, os dois ficam separados por 1 ponto, com 31% a 30% para o senador, e no Norte aparecem empatados numericamente em 37%.
A divergência está no que cada campo escolheu colocar em primeiro plano. A cobertura de centro relatou o levantamento pela série histórica do próprio instituto: em julho, Lula tinha 45% contra 42% no confronto direto, e em junho a vantagem chegou a cinco pontos, de modo que a rodada atual é apresentada como o momento em que essa dianteira desapareceu. Veículos de direita foram além e transformaram dois recortes em eixo de reportagem. O primeiro é o desempenho de Ronaldo Caiado, tratado como o único adversário que supera o presidente numa simulação de segundo turno, com o registro de que 65% de quem declara voto nele diz escolher o candidato considerado mais preparado. O segundo é a rejeição idêntica de 50%, lida como limite de crescimento para os dois lados caso um terceiro nome se consolide. Veículos de esquerda não deram tratamento próprio a esta rodada; a leitura habitual desse campo enfatizaria a liderança preservada de nove pontos no primeiro turno, o peso do Nordeste no resultado nacional e o fato de que Caiado, com 4% na disputa aberta, ainda é desconhecido de 16% do eleitorado, o que fragiliza os 45% que ele marca num cenário reduzido a dois nomes.
O que ainda não se sabe é considerável. O instituto não divulgou simulação de segundo turno entre Lula e Augusto Cury, justamente o nome que mais cresceu na rodada, o que deixa sem resposta a pergunta sobre o desempenho da terceira força num confronto direto. A pesquisa também não atribui causas ao contraste entre os 4% de Caiado no primeiro turno e os 45% no segundo, e não informa a margem de erro específica dos recortes por região, que é maior que a nacional e torna arriscada qualquer conclusão sobre diferenças de 1 ponto. Por fim, não há dado sobre a estabilidade da rejeição de 50% ao longo das rodadas anteriores, o que impede saber se o número é novo ou apenas se repete.