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O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Haddad afirmou ser testemunha de que Wagner atuou contra os interesses do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e que se colocou contra a chamada Emenda Master. A PF apreendeu cerca de R$ 471 mil em moeda estrangeira em endereços ligados ao senador e investiga favores recebidos do empresário Augusto Lima.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), saiu publicamente em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em declaração à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, na terça-feira (23 de junho), Haddad afirmou: 'Sou testemunha de que ele atuou contra o Banco Master e ajudou o governo a bloquear os interesses da instituição. Posso depor onde ele quiser.' Foi a manifestação mais contundente de um líder petista em favor do senador desde o início da operação.
Wagner foi um dos 18 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal em 18 de junho, em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Em endereços vinculados ao senador, os agentes apreenderam dólares e euros que somam cerca de R$ 471 mil pela cotação atual. Wagner afirma que parte dos recursos vinha de diárias de viagens pagas pelo Senado e que outra parte foi obtida em operações regulares, e nega ter recebido vantagens indevidas: 'Nunca recebi dinheiro do Banco Master', declarou à BandNews TV.
A cobertura de centro, ancorada na coluna que originou o caso, reportou as falas de Haddad com aspas diretas e contextualizou tanto a versão da defesa quanto os indícios apurados pela investigação. Segundo essa apuração, Haddad detalhou que pediu pessoalmente a Wagner que votasse contra a chamada Emenda Master, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e, na avaliação dos críticos, reduziria o risco associado ao esquema atribuído a Vorcaro. 'Ele agiu contra o Master inclusive a meu pedido', afirmou o ex-ministro.
Veículos de esquerda enfatizaram o ângulo exculpatório: destacaram que Wagner bloqueou os interesses do banco no Senado, e não o contrário, e trataram o testemunho de Haddad como confirmação concreta da versão da defesa. Nessa leitura, o senador é apresentado como quem agiu em favor do interesse público ao barrar a emenda, e a decisão judicial que autorizou as buscas conteria erros graves de fundamentação. A defesa recorreu ao Supremo Tribunal Federal, ao ministro relator André Mendonça, pedindo a anulação da operação.
Veículos de direita enfatizaram os indícios reunidos pela Polícia Federal e leram a defesa pública de Haddad como fechamento de fileiras do PT em torno de um aliado sob investigação. Essa cobertura deu peso aos valores apreendidos, a um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões que seria, na prática, do senador, ao uso frequente de jatos privados do banqueiro e a pagamentos feitos ao longo dos anos por meio da empresa de uma familiar. A tentativa de anular a operação no STF é enquadrada, por esse prisma, como blindagem judicial.
O que ainda não se sabe é como o relator André Mendonça e a Segunda Turma do STF decidirão sobre o pedido de anulação, se Haddad de fato será ouvido como testemunha e qual será o desfecho da pressão interna no PT, onde parlamentares avaliam que as explicações do senador não foram suficientes para conter o desgaste. A origem completa dos valores apreendidos e a comprovação documental dos favores citados pela investigação seguem em apuração.
Todos os lados confirmam os fatos centrais: Wagner foi alvo da Operação Compliance Zero da PF em 18 de junho, valores em moeda estrangeira foram apreendidos, a defesa recorreu ao STF e Haddad declarou ser testemunha de que o senador atuou contra a Emenda Master.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Veículo alinhado à esquerda governista. Dá destaque à defesa de Haddad e à negativa de Wagner ('Nunca recebi dinheiro do Banco Master'), enquadra o senador como quem agiu contra o banco e prioriza a versão da defesa. O título reforça o ângulo exculpatório.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Coluna factual que reporta as falas de Haddad com aspas diretas, contextualiza a operação, os valores apreendidos e o recurso ao STF. Apresenta a versão da defesa e os indícios da PF com paridade, sem vocabulário valorativo carregado.
Veículos com viés à direita
Veículo de mercado financeiro com enfoque em accountability: detalha os valores apreendidos (US$ 49 mil), o apartamento de R$ 2,4 milhões e os pagamentos via empresa de familiar, dando peso ao lado investigativo. Tom factual, mas a seleção de detalhes incriminatórios e a ênfase na operação inclinam levemente à direita.
Perspectivas omitidas

Ex-ministro da Fazenda afirmou que o senador teria atuado contra o Banco Master inclusive a seu pedido enquanto chefe da pasta

Ex-ministro afirma que senador ajudou governo a barrar interesses do Banco Master no Senado

Líder do governo foi alvo de uma operação de busca e apreensão da PF na semana passada
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