A produção industrial brasileira recuou 0,2% em maio de 2026 na comparação com abril, na série com ajuste sazonal, informou o IBGE nesta sexta-feira, 3 de julho, ao divulgar a Pesquisa Industrial Mensal. Foi o primeiro resultado negativo depois de quatro meses consecutivos de crescimento, período em que o setor acumulou alta de 4,4%. Na comparação com maio de 2025, a produção variou 0,2%, e no acumulado de 2026 a indústria mantém alta de 1,4%.
A cobertura de centro relatou que a queda de maio se concentrou em dois segmentos. As maiores influências negativas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que caiu 6,1%, e das indústrias extrativas, com baixa de 2,6%. Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, ambos interromperam sequências de cinco meses de expansão. No caso dos derivados de petróleo, o recuo refletiu principalmente a menor produção de álcool etílico e gasolina; na extrativa, pesaram a redução de minério de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural.
Em sentido contrário, houve avanços relevantes. Produtos farmoquímicos e farmacêuticos cresceram 13,1%, veículos automotores subiram 4,1% e produtos químicos avançaram 3,1%. A indústria farmacêutica encerrou uma sequência de quatro quedas, enquanto o setor automobilístico registrou o quinto mês seguido de crescimento, impulsionado pela maior produção de automóveis, caminhões e autopeças. Entre as grandes categorias econômicas, apenas bens de consumo duráveis cresceram (+3,6%); bens semi e não duráveis tiveram a maior retração (-1,3%).
Veículos de direita, com forte presença da imprensa de mercado, enfatizaram que o resultado frustrou as projeções: uma pesquisa da Reuters com economistas esperava alta de 0,3% na comparação mensal. Nesse enquadramento, o dado reforça o quadro de atividade ainda contida sob uma Selic de 14,50% ao ano, taxa tratada como âncora necessária contra a inflação, ao mesmo tempo em que setores competitivos como o automotivo seguem avançando.
Veículos de esquerda tendem a destacar o outro lado da mesma equação: o custo do dinheiro. Nessa leitura, o crédito caro imposto pelo aperto monetário pressiona a produção, o investimento e o emprego industrial, num setor que ainda opera 13% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011. O recado seria a necessidade de sustentar a reindustrialização e proteger os postos de trabalho.
O que ainda não se sabe é se o recuo de maio inaugura uma tendência de perda de fôlego ou se é um ajuste pontual em segmentos de oferta específica. Os próprios dados sugerem cautela: o desempenho segue sendo acompanhado pelo mercado por seu impacto sobre a atividade econômica no segundo trimestre, e as próximas leituras da PIM dirão se a indústria mantém ou perde os ganhos acumulados desde o início do ano.