O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas negou o pedido do MDB, presidido pelo senador Renan Calheiros, para suspender a divulgacao de uma pesquisa do instituto Paranha Pesquisas sobre a disputa ao governo e ao Senado no estado. Em decisao, o desembargador Mauricio Cesar Breda Filho concluiu que nao havia irregularidade capaz de justificar o bloqueio do levantamento.
O nucleo do caso e uma acao movida pelo diretorio estadual do MDB. O partido sustentou que a pesquisa omitiu tres pre-candidatos ao Senado, Alexandre Fleming, Italo Bonja e Marcos Omena, e questionou a transparencia do plano amostral do instituto. Para a legenda, essas supostas falhas comprometeriam a confiabilidade dos resultados. Ao rejeitar o pedido, o magistrado afirmou que a obrigatoriedade de constar o nome de todos os candidatos na lista apresentada aos entrevistados surge apenas a partir da publicacao dos editais de registro de candidaturas.
A cobertura de centro, de veiculos como a Folha de S.Paulo e o Poder360, relatou de forma factual os numeros contestados. No cenario estimulado ao Senado, o deputado federal Alfredo Gaspar, do PL, lidera com 40,4% das intencoes de voto, seguido por Arthur Lira, do PP, com 39,8%, e por Renan Calheiros, com 36,4%. Na sequencia aparecem Davi Filho, do Republicanos, com 22,9%, Dr. Wanderley, do MDB, com 11,1%, e Eudocia Caldas, do PSDB, com 10,8%. O Paranha Pesquisas ouviu 1.400 eleitores em 52 municipios entre 28 de junho e 1 de julho, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais e nivel de confianca de 95%. O levantamento foi contratado pela TV Pajucara e esta registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o numero AL-04491/2026.
Todos os lados convergem no relato de que este episodio se insere numa sequencia de pesquisas contestadas em Alagoas. Dias antes, o mesmo TRE-AL, sob o mesmo desembargador, havia suspendido a divulgacao de um levantamento da RealTime Big Data, a pedido da federacao PSDB-Cidadania, por considerar que a omissao da pre-candidata Eudocia Caldas, mae do ex-prefeito de Maceio Joao Henrique Caldas, o JHC, configurava vicio metodologico. A empresa afirmou que discordava da decisao e que recorreria.
As cores da cobertura divergem no enquadramento. Veiculos de direita, como a Revista Oeste, enfatizaram a preservacao da liberdade dos institutos e a rejeicao da tentativa de censura previa por um senador tradicional que aparece em desvantagem numerica. A leitura de esquerda, reconstruida a partir do arco factual, enfatizaria o direito coletivo do eleitor a informacao e o risco de figuras poderosas usarem o Judiciario para controlar a narrativa. Ja o centro concentrou-se nos fatos, nos percentuais e no fundamento juridico, sem tomar partido. O diretor do Paranha Pesquisas, Murilo Hidalgo, resumiu o clima ao dizer que a acao representa mais uma tentativa de impugnar pesquisas eleitorais, de todos os institutos.
O que ainda nao se sabe: se o MDB e Renan Calheiros vao recorrer da decisao, como ficara a defesa da RealTime Big Data no processo paralelo, e se o TRE-AL adotara criterio uniforme para as proximas pesquisas ate a publicacao dos editais de registro das candidaturas.