O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás filiado ao PSD, deve anunciar nesta quarta-feira, 1º de julho, o nome de seu vice na disputa de 2026. A expectativa é de que o escolhido seja Gilberto Kassab, presidente nacional do partido, fechando uma chapa formada exclusivamente pela legenda. O anúncio está marcado para as 11h, na sede nacional do PSD, em Brasília, e ocorre antes da janela oficial de convenções eleitorais.
A cobertura de centro relatou que Caiado teve reunião de estratégia com Kassab e que, questionado por jornalistas em São Paulo, desconversou sobre o vice, dizendo apenas que a curiosidade permaneceria até o anúncio. Veículos de centro também lembraram que Kassab chegou a ser cotado como vice do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, de quem foi secretário, antes de o PSD avançar nas conversas por uma chapa que aliados chamam de puro-sangue.
Todos os lados convergem nos fatos centrais: Caiado foi confirmado pré-candidato do PSD em março, após disputa interna que envolveu Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná. A indicação de Kassab para a vice vinha sendo discutida desde maio, em parte para evitar uma aliança que rebaixasse a candidatura, como uma eventual composição com Romeu Zema, do Novo. Há também consenso de que o anúncio é apenas um gesto político: a chapa só se formaliza na convenção partidária, que o Tribunal Superior Eleitoral marcou para o período entre 20 de julho e 5 de agosto.
É no enquadramento que as coberturas divergem. Veículos de esquerda destacaram que a candidatura de Caiado funciona como linha auxiliar do bolsonarismo, sobretudo pela promessa de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, e que a chapa tenta organizar a direita fora do bolsonarismo após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Essa leitura ressalta ainda que a aliança desloca o PSD para uma oposição mais explícita ao presidente Lula, mesmo com o partido mantendo ministros no governo federal, e lembra o histórico de atritos entre os dois, já que Caiado chegou a chamar Kassab de cafetão antes de depender de sua articulação.
A cobertura de direita e de centro-direita, por sua vez, enfatizou a lógica de construção partidária: a chapa pura reforça a aposta do PSD em candidatura própria, blinda Caiado de pressões internas e valoriza a estrutura erguida por Kassab, com forte presença em prefeituras, bancadas parlamentares e governos estaduais. Nessa visão, o desafio do PSD é transformar essa força municipal e legislativa em tração nacional para uma candidatura presidencial competitiva.
O que ainda não se sabe é se o anúncio será de fato confirmado nesta quarta, já que nem Caiado nem Kassab haviam oficializado o convite até a publicação das reportagens. Também permanecem em aberto a reação dos diretórios estaduais e de outros partidos da direita à chapa fechada, e como o PSD acomodará suas tensões internas, dividido entre palanques regionais e a presença no governo Lula, até a convenção que vai selar a candidatura.