Keiko Fujimori foi declarada vencedora do segundo turno da eleição presidencial do Peru, realizado em 7 de junho de 2026, encerrando uma das apurações mais disputadas da história recente do país. Segundo o Júri Nacional de Eleições, que proclamou o resultado em 3 de julho, ela obteve 50,135% dos votos, ou 9.223.396, contra 49,865% de Roberto Sánchez, uma diferença de 49.641 votos. Aos 51 anos, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela se torna a primeira mulher a presidir o Peru e toma posse em 28 de julho, para mandato até 2031.
A cobertura de centro, predominante no noticiário brasileiro, relatou os fatos com paridade: descreveu a longa contagem, marcada pela judicialização e pela pequena diferença de votos, e registrou que Sánchez, herdeiro político de Pedro Castillo, contestou especialmente os votos do exterior, que garantiram a vitória de Keiko. Esses veículos também destacaram que observadores nacionais, internacionais e a missão da União Europeia consideraram o pleito competitivo e a contagem transparente, sem indícios de fraude. Em 6 de julho, Sánchez reconheceu o resultado do JNE, embora sem admitir formalmente a derrota, e reservou o direito de denunciar o que classificou como irregularidades.
Veículos de direita enfatizaram a legitimidade da vitória e trataram a contestação da esquerda como infundada, sublinhando que a Justiça Eleitoral rejeitou os recursos e que Sánchez alegou fraude sem apresentar provas. Nesse enquadramento, a eleição confirma o avanço da direita na América Latina como resposta popular ao crime organizado e à instabilidade, e a agenda de Keiko de ordem, segurança e atração de investimentos aparece como o caminho de estabilização. Veículos de esquerda, por sua vez, destacaram o peso do legado autoritário: lembraram que Alberto Fujimori governou de 1990 a 2000, deu um autogolpe em 1992 e morreu em 2024 condenado por crimes contra os direitos humanos. Para essa cobertura, a margem mínima expõe um país polarizado e desigual, e a contestação de Sánchez aos votos do exterior, além do recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, merece atenção.
Um ângulo brasileiro atravessou o noticiário: o presidente Lula parabenizou Keiko e propôs uma agenda bilateral ambiciosa, focada em comércio, integração de infraestrutura, combate à fome e proteção da Amazônia, apesar das diferenças ideológicas. A cobertura de centro leu o gesto como parte de um redesenho da política externa brasileira, que aposta em relações bilaterais diante do avanço da direita na região; veículos de esquerda ressaltaram o pragmatismo cooperativo de Lula, enquanto o noticiário observou que o Brasil fica mais isolado como governo de esquerda na América do Sul.
O que ainda não se sabe: se Sánchez levará adiante o recurso à Corte Interamericana, como Keiko governará diante de um Congresso fragmentado, cuja maior bancada é seu próprio partido, o Força Popular, e em que medida a promessa da oposição de libertar Pedro Castillo e revogar leis avançará no Legislativo.