O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), recebeu alta hospitalar na terça-feira, 18 de agosto, oito dias depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. O parlamentar, de 63 anos, estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde o dia 11 de agosto, quando passou mal durante uma reunião do Colégio de Líderes convocada para definir a pauta de votações da semana.
Segundo o boletim médico divulgado pelo hospital e assinado pela cardiologista Ludhmila Hajjar, chefe de equipe da unidade, Uczai apresentou evolução clínica satisfatória, permaneceu consciente e orientado e não apresentou evidências de déficit neurológico. Os exames identificaram um AVC isquêmico no cerebelo esquerdo, região do sistema nervoso central ligada à coordenação dos movimentos e ao equilíbrio. O deputado chegou a ser internado em Unidade de Terapia Intensiva e deixou a UTI no sábado, 15 de agosto. Depois da alta, seguirá com exames de rotina e tratamento conforme orientação médica.
Toda a cobertura converge sobre o socorro imediato dentro do Congresso. Quando desmaiou, na Sala Miguel Arraes, Uczai foi atendido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e pelo líder do PP, Dr. Luizinho (PP-RJ), os três com formação em medicina. Ele foi conduzido de maca ao Departamento Médico da Câmara dos Deputados e, em seguida, transferido para o hospital, onde os exames apontaram o diagnóstico. O episódio interrompeu a reunião de líderes e levou ao cancelamento da ordem do dia daquela terça-feira.
As ênfases mudam conforme o lado que assina a cobertura. Veículos de esquerda destacaram a evolução clínica favorável e a ausência de déficit neurológico, com foco na cadeia de atendimento que começou dentro da própria Casa legislativa e terminou na alta sem sequelas registradas. A cobertura de centro concentrou-se no documento: reproduziu a íntegra do boletim médico e a nota da liderança do PT, detalhou a região do cérebro atingida, citou a fala do parlamentar ao deixar o hospital e lembrou que o Legislativo só retoma as votações na semana de 31 de agosto a 4 de setembro, por causa do calendário eleitoral. Um texto de centro acrescentou que a médica responsável pelo boletim integrou a equipe de transição do governo Lula, observação que aparece sem desdobramento no restante da matéria. Veículos de direita enfatizaram o impacto institucional do episódio, isto é, a interrupção da reunião de líderes e o cancelamento da pauta do dia, além do histórico político do parlamentar, que exerce o quarto mandato e assumiu a liderança da bancada em 2026 no lugar de Lindbergh Farias. Um deles informou ainda que Uczai pretende disputar a reeleição, apesar do período de afastamento.
Não houve, em nenhum dos textos, contestação aos fatos centrais nem versões conflitantes sobre o quadro clínico. A divergência é de recorte, não de conteúdo: de um lado o cuidado e a recuperação, de outro o custo institucional da ausência do líder da maior bancada governista em ano de campanha.
O que ainda não se sabe é quanto tempo durará a recuperação. O hospital não informou o prazo previsto de convalescença nem estimou data de retorno às atividades parlamentares, e a liderança do PT também não divulgou se haverá substituição temporária no comando da bancada. Não há detalhamento público sobre a origem do AVC, sobre eventuais restrições de rotina impostas ao deputado ou sobre a agenda de exames que ele seguirá a partir de agora.