Mojtaba Khamenei pede unidade islâmica seis meses após ofensiva dos EUA
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O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou no domingo uma mensagem escrita convocando as nações muçulmanas a se unirem contra Estados Unidos e Israel, no momento em que a guerra no Oriente Médio completa seis meses. Ele afirmou que a solução para os problemas da comunidade muçulmana está na unidade, na amizade e na cooperação, e pediu aos líderes da região que reconheçam o que chamou de verdadeiro inimigo. Khamenei assumiu o posto após a morte do pai, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, primeiro dia da ofensiva conjunta americano-israelense, e desde então não apareceu publicamente, comunicando-se apenas por escrito. Em retaliação à ofensiva, o Irã atingiu aliados de Washington na região, entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Catar e Bahrein, deteriorando as relações de Teerã com essas capitais.
O apelo de Mojtaba Khamenei chega depois de meses de bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e de décadas de sanções internacionais que recaem sobre a população civil iraniana, com novo endurecimento anunciado por Washington.
Nesta leitura, o chamado de Mojtaba Khamenei à unidade islâmica é um movimento de sobrevivência de um regime teocrático que se isolou pelas próprias escolhas. Foi o Irã que respondeu à ofensiva atacando instalações militares americanas e estruturas em Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Catar e Bahrein, e foi o Irã que bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto dos produtos petrolíferos consumidos no mundo, transferindo o custo do conflito para a economia global.
4 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todos os lados registram os mesmos fatos básicos: Mojtaba Khamenei pediu por escrito a união das nações muçulmanas contra Estados Unidos e Israel, sucedeu o pai morto em 28 de fevereiro, não aparece em público desde então e viu as relações de Teerã com Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Catar e Bahrein se deteriorarem após os ataques iranianos a aliados de Washington.
Seis meses após o início da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei voltou a se manifestar por escrito e convocou as nações muçulmanas a se unirem contra os dois países. A mensagem chega com Teerã sob bloqueio naval, sanções endurecidas e relações deterioradas com as monarquias do Golfo.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, convocou as nações muçulmanas a se unirem contra os Estados Unidos e Israel em mensagem escrita divulgada no domingo (30), data em que a guerra no Oriente Médio completou seis meses. No texto, publicado em seu site oficial, o aiatolá afirmou que a solução para os problemas da Ummah, a comunidade muçulmana, está na unidade de voz, na amizade e na cooperação em prol do bem comum, e conclamou os líderes da região a reconhecer o que classificou como o verdadeiro inimigo, compreender seu plano e combatê-lo. Segundo ele, Estados Unidos e Israel são inimigos de todos os muçulmanos, e não apenas do Irã.
Khamenei assumiu o cargo após a morte do pai, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, primeiro dia da ofensiva conjunta de americanos e israelenses contra o Irã. Desde então não apareceu em público. As autoridades iranianas não divulgaram vídeos nem gravações de áudio do novo líder supremo, e toda a comunicação tem sido feita por escrito. Na sexta-feira anterior à mensagem, ele já havia declarado proibida qualquer conduta capaz de comprometer a coesão social do país.
Há convergência entre todas as coberturas em pontos centrais. Khamenei sustentou que quem provoca divisão na comunidade muçulmana, consciente ou inconscientemente, de forma voluntária ou involuntária, acaba servindo aos objetivos dos inimigos do Islã, e pediu que iranianos e autoridades locais deixem de lado suas diferenças. Também há acordo sobre o pano de fundo diplomático: em retaliação à ofensiva, o Irã atingiu aliados de Washington na região, entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Catar e Bahrein, o que deteriorou as relações de Teerã com essas capitais.
As ênfases divergem. Veículos de esquerda destacaram a dimensão econômica do cerco: meses de bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, décadas de sanções internacionais e o anúncio de endurecimento feito por Washington na segunda-feira, além da defesa, pelo próprio Khamenei, de uma desdolarização gradual da economia iraniana e do aumento da produção interna como caminho para reaquecer a atividade. A cobertura de centro relatou os mesmos fatos com atribuição explícita a agências internacionais e acrescentou o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde passa um quinto dos produtos petrolíferos consumidos no mundo, ligando o conflito ao temor de crise em uma economia global já pressionada pela guerra da Rússia contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo. Nessa cobertura, o apelo foi feito durante a Semana da Unidade Islâmica e veio acompanhado de críticas diretas aos governantes árabes do Golfo, a quem Khamenei perguntou se as ameaças externas teriam avançado sobre seus territórios caso a região estivesse unida sob uma mesma identidade islâmica. O texto recupera que, desde a Revolução Islâmica de 1979, as monarquias árabes veem a ideologia política de Teerã como ameaça a seus próprios sistemas de governo, e registra que foi o Irã quem atacou instalações militares americanas e estruturas em países do Golfo. Em contrapartida, deixa de fora o bloqueio naval, o aperto das sanções e a proposta de desdolarização.
Há ainda uma divergência factual relevante sobre o próprio líder. Parte da cobertura afirma apenas que ele não é visto em público desde fevereiro; outra parte sustenta que ele ficou ferido nos ataques aéreos de Estados Unidos e Israel. Nenhum veículo apresenta confirmação independente sobre seu estado de saúde ou seu paradeiro, e nenhum informa quem responde pelas decisões cotidianas do Estado iraniano nesse período.
O que ainda não se sabe é se o apelo terá adesão das monarquias do Golfo que foram alvo dos ataques iranianos, qual será o efeito prático do endurecimento das sanções sobre a economia do país, por quanto tempo o Estreito de Ormuz seguirá bloqueado e se existe alguma negociação em curso para encerrar uma guerra que, em seis meses, já deixou milhares de mortos.
Em mensagem divulgada neste domingo (30), Mojtaba Khamenei descreveu Washington e Tel Aviv como inimigos de toda a Ummah, não apenas do Irã


O Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, convocou as nações muçulmanas a se unirem contra os Estados Unidos e Israel em uma mensagem escrita divulgada no domingo (30), quando a guerra no Oriente Médio…

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, fez um novo apelo à união entre os países muçulmanos, especialmente as nações
