Trump mira JBS e National Beef em ofensiva contra concentração da carne nos EUA
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, que prepara medidas para permitir que agricultores e pecuaristas americanos processem a própria produção de carne, numa ofensiva contra a concentração do setor. As quatro maiores processadoras de carne bovina do país, JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef, controlam cerca de 85% do mercado, e duas delas têm vínculo com o Brasil: a JBS é de origem brasileira e a National Beef é controlada pela MBRF. O anúncio vem depois de o conselheiro comercial Peter Navarro acusar as quatro companhias de formar um cartel e no meio de uma alta expressiva do preço das proteínas animais nos Estados Unidos.
A ofensiva anunciada por Donald Trump expõe o custo social de um mercado de alimentos dominado por meia dúzia de conglomerados: quatro empresas concentram cerca de 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos, pagam menos ao pecuarista e cobram mais do supermercado, segundo a própria Casa Branca.
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Todas as leituras reconhecem que quatro empresas concentram cerca de 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos, que o preço da carne subiu 9,4% em 12 meses até julho e que a JBS e a National Beef, controlada pela MBRF, estão no centro da ofensiva do governo americano.
O governo dos Estados Unidos prepara mudanças nas regras de processamento de carne bovina e coloca no alvo as quatro empresas que controlam cerca de 85% do mercado, duas delas ligadas ao Brasil. Entenda o que foi anunciado, o que dizem produtores e processadoras e quais pontos seguem sem resposta.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, que prepara medidas para permitir que agricultores e pecuaristas americanos processem a própria produção de carne. O anúncio é a etapa mais recente de uma ofensiva do governo americano contra a concentração do setor de carnes, que tem entre seus principais atores duas empresas ligadas ao Brasil. Trump disse ter autorizado a preparação de documentos jurídicos para que produtores tenham, nas palavras dele, o direito de processar seus próprios alimentos, mas não detalhou quais regras pretende alterar.
As quatro maiores processadoras de carne bovina dos Estados Unidos são JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef e, juntas, controlam cerca de 85% do mercado. A JBS tem origem brasileira e a National Beef é controlada pela MBRF. Duas semanas antes, em 11 de agosto, o conselheiro comercial da Casa Branca, Peter Navarro, havia afirmado a jornalistas que as quatro companhias formam um cartel e destacou especificamente a presença brasileira no setor, acusando as empresas de pagar menos aos pecuaristas pelo gado e cobrar mais dos supermercados. A MBRF respondeu que opera em estrita conformidade com as leis de defesa da concorrência e antitruste, que o modelo de operação da National Beef é único no país e que mantém parceria de longa data com cerca de 700 produtores locais, detentores de aproximadamente 18% do capital da companhia. A JBS não se pronunciou.
O pano de fundo é o preço da comida. A inflação da carne nos Estados Unidos foi de 9,4% nos 12 meses encerrados em julho, segundo o índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho, num movimento associado à redução do rebanho americano. A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, informou que o governo prepara uma série de anúncios a partir de 31 de agosto para fortalecer produtores e pequenos processadores, com redução de burocracia, ampliação das vendas entre estados, revogação de orientações consideradas ultrapassadas, financiamento e desregulamentação. Em 26 de agosto, Trump já havia assinado medida que amplia temporariamente em 300 mil toneladas a cota de carne bovina magra importada com tarifa reduzida.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma factual e com paridade entre as partes, alternando as declarações do governo americano, a resposta da MBRF e as duas reações setoriais opostas: o Meat Institute, que representa as processadoras, advertiu que permitir a comercialização de carne sem inspeção federal pode colocar em risco a segurança alimentar, enquanto a National Cattlemen's Beef Association, dos pecuaristas, apoiou a redução de regulamentações desde que os padrões de inspeção sejam mantidos. Veículos de esquerda reproduziram esse mesmo relato sem acrescentar enquadramento próprio, mantendo em evidência o rótulo de cartel aplicado a companhias de capital brasileiro e a alta do preço da proteína. Não houve, até o momento, cobertura de veículos de direita sobre o caso; o ângulo que esse campo costuma privilegiar aparece nas próprias falas do governo americano e do setor produtivo, que tratam a regra federal de inspeção como entrave ao pequeno pecuarista e apostam na desregulamentação como forma de abrir concorrência.
A discussão ganhou espaço público em uma entrevista de Trump ao apresentador conservador Glenn Beck, dono de um rancho, que argumentou que as regras federais dificultam o abate e o processamento pelo próprio pecuarista e o tornam dependente das grandes companhias. Hoje a legislação americana impede que o produtor comercialize carne de animais abatidos e processados por ele mesmo sem inspeção federal, salvo exceções, e a fiscalização cabe ao Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura.
O que ainda não se sabe é o essencial. O governo americano não informou quais normas serão alteradas, por qual instrumento jurídico nem em que prazo, e não há confirmação de que exista investigação antitruste formal contra as quatro processadoras. Também não está claro que efeito a medida terá sobre as operações da JBS e da National Beef, sobre o preço pago ao consumidor americano ou sobre a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Nenhuma das reportagens registrou manifestação de autoridades brasileiras nem avaliação independente de especialistas em defesa da concorrência sobre a acusação de cartel.
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