O prazo para o registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral se encerrou na noite de sábado, 15 de agosto de 2026, e fechou a composição de duas chapas ao Senado que chamaram atenção pelo nome escolhido para a primeira suplência. Em Alagoas, o deputado federal Arthur Lira, do PP, oficializou o médico e empresário Luiz Romero Farias, do PL, como primeiro suplente. Em Brasília, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do PL, registrou candidatura ao Senado pelo Distrito Federal tendo o próprio irmão, Diego Torres, como primeiro suplente, e Cristian Viana, do Podemos, como segundo.
A indicação feita por Arthur Lira entrou na ata da convenção partidária registrada no TSE no fim da noite de sábado. Luiz Romero Farias atuou recentemente como secretário de Saúde de Maceió na gestão do prefeito João Henrique Caldas, o JHC, e é irmão de Paulo César Farias, o PC Farias, ex-tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello, morto em 1996 no litoral norte alagoano. Em 2024, Arthur Lira já havia tentado emplacar Romero Farias como candidato a vice-prefeito na chapa de reeleição de JHC, negociação que terminou com Rodrigo Cunha no posto. No caso do Distrito Federal, a candidatura de Michelle Bolsonaro foi oficializada em convenção do PL realizada em Brasília no início de agosto, depois de semanas de indefinição em que a ex-primeira-dama chegou a dizer que a prioridade era cuidar de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. No pedido entregue ao TSE, ela declarou patrimônio de R$ 4,48 milhões, sendo R$ 4.154.500 em aplicação financeira, R$ 301.670,75 em fundo de investimentos e um Volkswagen Fusca avaliado em R$ 30 mil.
Há convergência sobre os fatos básicos entre as coberturas disponíveis: as duas chapas foram formalizadas dentro do prazo legal, os documentos estão registrados no TSE e, nos dois casos, a primeira suplência ficou com alguém de relação pessoal próxima ao titular. Também é ponto pacífico que o primeiro suplente pode assumir o mandato de senador caso o titular deixe o cargo, se licencie ou passe a ocupar função que abra a vaga, o que dá peso concreto a uma posição que não recebe voto direto.
A divergência aparece na escolha do que merece destaque. Veículos de esquerda concentraram o relato no sobrenome do suplente alagoano e no episódio que marcou o impeachment de Fernando Collor de Mello, tratando a indicação como sinal de permanência de uma elite política regional formada nos anos 1990 e de uso do mandato como bem de círculo restrito. A cobertura de centro descreveu o registro no Distrito Federal sem enquadramento valorativo, discriminando o patrimônio declarado item a item, nomeando os dois suplentes e explicando que a segunda suplência resultou de acordo firmado para que o Podemos apoiasse a candidatura. Até o momento, veículos de direita não trataram do assunto no material analisado; a leitura que costuma organizar esse campo, e que não aparece nos textos disponíveis, é a de que a legislação eleitoral não veda parentesco em suplência e de que a decisão final cabe ao eleitor.
O que ainda não se sabe é relevante. Nenhum dos textos traz manifestação de Arthur Lira, de Luiz Romero Farias ou de Diego Torres sobre as escolhas. Não há detalhamento dos termos do acordo entre o PL e o Podemos no Distrito Federal, nem informação sobre eventuais impugnações aos registros ou sobre o prazo em que a Justiça Eleitoral deve julgá-los. Também não está esclarecido se outras chapas ao Senado nos dois estados adotaram arranjo semelhante, o que permitiria medir se o caso é exceção ou padrão nesta eleição.