Três pesquisas de intenção de voto divulgadas na última semana de julho de 2026 recolocaram a disputa presidencial no centro do noticiário e apontaram a mesma tendência geral: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera o primeiro turno e vence o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas simulações nacionais de segundo turno, ainda que por margens estreitas e com rejeição alta para os dois nomes.
O levantamento nacional mais detalhado ouviu 2.004 eleitores presencialmente em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho, e dá a Lula 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% do senador do PL. Os demais pré-candidatos ficam muito abaixo: Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) têm 3%, Augusto Cury (Avante) tem 2%, e os outros não passam de 1%. Brancos e nulos somam 8%, e os indecisos, 3%. No segundo turno, o petista tem 48% contra 43%, diferença que era de quatro pontos na rodada da segunda quinzena de junho (47% a 43%). A margem de erro é de 2 pontos e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral.
Uma segunda pesquisa nacional, divulgada em 29 de julho, ouviu 5.021 pessoas entre 22 e 27 de julho, com margem de erro de 1 ponto, e chegou a resultado semelhante no confronto direto: 49,2% para Lula e 42,9% para Flávio Bolsonaro. O terceiro levantamento tem recorte diferente, e é nele que a leitura muda: ouviu 1.200 eleitores apenas no Rio de Janeiro, entre 21 e 25 de julho, com margem de 3 pontos, e mostrou empate técnico no segundo turno, com 38% para o senador e 35% para o presidente. No mesmo estado, o petista vence Romeu Zema (36% a 22%), Ronaldo Caiado (36% a 22%) e Renan Santos (35% a 19%).
Os três trabalhos convergem em pontos centrais. A disputa está polarizada entre dois nomes, e nenhum outro pré-candidato chega a 5% no cenário nacional. Lula e Flávio Bolsonaro também lideram a rejeição, com 46% e 48%, ou seja, quase metade do eleitorado descarta cada um deles.
Os recortes internos revelam dois mapas eleitorais distintos. O presidente tem vantagem ampla entre mulheres, eleitores de 60 anos ou mais, quem tem ensino fundamental, famílias com renda de até dois salários mínimos, católicos e no Nordeste, onde marca 62% a 29%. O senador do PL lidera entre eleitores de 35 a 44 anos, nas faixas de renda de dois a dez salários, entre quem tem ensino superior, na região Sul e entre evangélicos, segmento em que abre 60% a 31%.
A cobertura de centro responde por todo o material reunido aqui e tratou o assunto como boletim de números, reproduzindo percentuais, datas de campo, margens de erro e registros na Justiça Eleitoral, sem enquadramento valorativo. Até o momento não há publicação sobre esses levantamentos por veículos de esquerda nem de direita, mas as leituras de cada lado são identificáveis nos próprios dados. O enquadramento habitual de veículos de esquerda destacaria a sustentação da liderança entre eleitores de menor renda, do Nordeste e de mais idade, lendo os números como validação de políticas sociais. Já o enquadramento habitual de veículos de direita enfatizaria a rejeição de 46% ao atual presidente, a competitividade do adversário nas faixas de maior renda e escolaridade e o empate técnico no Rio de Janeiro como sinal de que a disputa segue aberta.
O que ainda não se sabe é relevante. Um dos levantamentos anuncia cenários de primeiro turno, simulações com Geraldo Alckmin (PSB) e com Fernando Haddad (PT) e índices de rejeição, mas não apresenta esses números no texto. Não há, no material disponível, pesquisa nacional recente do instituto que mediu o Rio de Janeiro, o que impede saber se o empate fluminense é característica local ou início de um movimento mais amplo. Também não há reação das campanhas nem leitura sobre o comportamento dos indecisos e dos votos brancos e nulos, parcela que em vários cenários supera a diferença entre os dois primeiros colocados.