Uma sequência de pesquisas eleitorais divulgadas na última semana de julho de 2026 desenhou um quadro de estabilidade na corrida pelo Palácio do Planalto, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) no cenário nacional. No levantamento Datafolha, Lula aparecia com 40% no primeiro turno, contra 32% do senador, e com 48% a 43% em um eventual segundo turno. A pesquisa PoderData/Aya apontou 41% para o petista e 35% para Flávio no primeiro turno, com 46% a 43% na disputa direta. Um novo levantamento do Instituto Vox mostrou Lula com 47,5% e Flávio com 41,1% no segundo turno.
A cobertura de centro, majoritária no noticiário, relatou os números de forma factual e destacou a estabilidade do cenário desde maio: as oscilações entre as rodadas ficaram dentro da margem de erro. Essa cobertura também detalhou o mosaico regional revelado pelas pesquisas estaduais Quaest, encomendadas por uma casa de investimentos. Flávio Bolsonaro lidera em estados do Sul e do Sudeste, como Paraná (42% a 24%), Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto Lula domina o Nordeste, com folga na Bahia (52% a 18%), em Pernambuco (55% a 21%) e no Ceará (55% a 22%).
Veículos de direita enfatizaram que, apesar da vantagem de Lula, a disputa segue aberta e tecnicamente empatada em vários cenários de segundo turno, sobretudo entre os homens, onde Flávio aparece à frente. Parte dessa cobertura também levantou dúvidas sobre o financiamento e a metodologia dos levantamentos, questionando quem paga as pesquisas.
Uma leitura alinhada à esquerda, ausente entre os veículos que cobriram diretamente este conjunto de pesquisas, tenderia a ressaltar a resiliência de Lula entre as mulheres, os mais pobres, os menos escolarizados e o eleitorado nordestino, base histórica do petista, além de associar a rejeição a Flávio ao episódio com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e às declarações de um aliado que afirmou que mulheres votam mal. Segundo o Datafolha, 50% das eleitoras preferem Lula em um segundo turno, contra 40% do senador.
Todas as coberturas convergiram em três pontos: Lula mantém a dianteira nacional, Flávio se consolidou como o principal rival, e o quadro pouco se moveu apesar de fatos como a oficialização da candidatura do senador em convenção do PL, o caso envolvendo o ex-dono do Banco Master e a nova rodada do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.
O que ainda não se sabe é o resultado do novo Datafolha, registrado no Tribunal Superior Eleitoral e previsto para os dias seguintes, o desfecho das investigações sobre o financiamento associado à campanha e a escolha do vice na chapa de Flávio, fatores que podem alterar o equilíbrio a pouco mais de dois meses da eleição de outubro.