A reta final de julho consolidou o quadro da disputa presidencial de 2026 em torno de dois nomes: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL oficializado em convenção no dia 25 de julho. Entre 27 e 30 de julho, quatro institutos divulgaram levantamentos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, e o retrato que sai deles é o de uma eleição apertada, com liderança nacional do presidente e vantagens regionais do senador.
No dia 27, a pesquisa BTG/Nexus mostrou o presidente com 42% no primeiro turno, contra 33% do senador. No segundo turno, foram 47% a 43%, no limite da margem de erro de dois pontos, com 2.004 entrevistas por telefone realizadas entre 24 e 26 de julho. Na quarta-feira, 29, a Atlas/Bloomberg apontou 44,9% para o presidente e 35,8% para o senador no primeiro turno, e 49,2% a 42,9% no segundo, com 5.021 entrevistados por recrutamento digital e margem de um ponto. Nos dois institutos, o presidente aparece à frente em todos os cenários nacionais de segundo turno testados, inclusive contra Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.
O quadro se inverte quando o recorte é estadual. Em São Paulo, a Genial/Quaest mostrou o senador com 40% contra 35% do presidente no segundo turno, e 34% a 30% no primeiro. No Rio Grande do Sul, os mesmos 40% a 35%. No Rio de Janeiro, a Quaest indicou 38% a 35% para o senador, dentro da margem de erro. Em Minas Gerais, estado que desde a redemocratização acompanhou o vencedor nacional em todas as eleições diretas, a diferença foi de um ponto, com 30% a 29% para o presidente. Há convergência também na rejeição: os dois primeiros colocados lideram o índice dos que não votariam neles de jeito nenhum, com 52,9% e 49,4% em um levantamento e 50% e 48% no outro.
Veículos de esquerda destacaram os recortes em que o presidente abre distância. Entre eleitores que se declaram independentes, a vantagem chega a 16,5 pontos, com 48,1% contra 31,6%, e entre mulheres, a 15,5 pontos. Essa cobertura enfatizou ainda o isolamento partidário do senador, que hoje teria 4 minutos e 20 segundos de propaganda gratuita por bloco na televisão, contra 5 minutos e 32 segundos do presidente, e associou a dificuldade de fechar alianças ao episódio em que ele pediu recursos a um banqueiro para financiar um filme sobre o pai.
A cobertura de centro concentrou-se nos números e na metodologia: tamanho de amostra, período de campo, margem de erro, registro na Justiça Eleitoral, custo dos estudos e comparação com rodadas anteriores. Foi também nessa cobertura que apareceu o outro fato relevante da semana. Em 28 de julho, a Polícia Federal cancelou o depoimento do senador em inquérito que apura calúnia contra o presidente, motivado por uma publicação de janeiro em rede social. A defesa optou por manifestação escrita ao Supremo Tribunal Federal, negando o crime e sustentando que a postagem se insere no debate público. O relator devolveu o caso à Procuradoria-Geral da República, que tem quinze dias para se manifestar.
Veículos de direita enfatizaram outro conjunto de dados: a rejeição do presidente perto de 50%, a avaliação negativa do governo, com 43% classificando a gestão como ruim ou péssima no plano nacional, 58% de desaprovação em São Paulo e 55% no Rio Grande do Sul, além dos empates técnicos no segundo turno. Essa cobertura deu espaço à agenda do senador, que acusou o governo de encorajar facções criminosas, prometeu tratá-las como organizações terroristas, disse que o presidente retalia São Paulo por causa de adversários locais e alertou para as quatro indicações ao Supremo que caberão ao próximo mandato. Em convenção em Santa Catarina, chamou o presidente de projeto de ditador. Entre os concorrentes, Ronaldo Caiado afirmou que ambos são adversários da população brasileira e classificou 2026 como a disputa dos rejeitados.
Ainda não se sabe se o Republicanos apoiará o senador até 5 de agosto, prazo final das convenções. Com o partido, ele passaria a ter mais tempo de televisão que o presidente. Seguem em aberto também o nome do vice na chapa do PL, o desfecho do inquérito por calúnia e se as vantagens regionais resistem ao início da propaganda eleitoral, marcado para 28 de agosto.