Milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, para a 18ª edição da Marcha da Maconha, que teve como pauta central a legalização e a regulamentação da cannabis no Brasil e a crítica à chamada guerra às drogas. A concentração começou em frente ao Masp por volta das 14h20, e os manifestantes seguiram em caminhada rumo à Praça da República, no centro da capital. O tema deste ano foi 'O bagulho é louco, o processo é lento', escolhido para marcar as mudanças no debate sobre a planta ao longo de quase duas décadas.
Veículos de esquerda destacaram que a criminalização da cannabis sobrecarrega o sistema prisional e penaliza de forma desigual grupos historicamente atingidos pela política de combate às drogas. Esses veículos enfatizaram o uso medicinal e terapêutico, que atende inclusive crianças sob prescrição médica, e relataram que o acesso a medicamentos à base de cannabis ainda é restrito a quem tem maior poder aquisitivo. Segundo o anuário da Kaya Mind citado na cobertura, cerca de 50 mil pessoas no país declaram tratar-se com produtos derivados da planta, número que sobe para 672 mil pacientes em outro levantamento mencionado.
A cobertura de centro relatou os fatos do ato com ênfase na verificação independente. O Poder360 descreveu as pautas, os cartazes e a presença do deputado Eduardo Suplicy, do PT, que completou 85 anos neste domingo, e fez sua própria contagem de público com a ferramenta Google Earth, chegando a cerca de 10 mil pessoas na concentração. Essa cobertura também registrou que os organizadores defendem não apenas a legalização, mas um modelo de regulamentação que evite a concentração de renda e inclua a agricultura familiar e os pequenos produtores, com medidas de reparação a grupos afetados pela repressão.
Veículos de direita enfatizaram o contraste entre as estimativas. Enquanto os organizadores falavam em cerca de 60 mil participantes, contagens independentes do Poder360 e do Monitor USP/CEBRAP, esta feita com fotos aéreas de drone analisadas por inteligência artificial, apontaram entre 7,4 mil e 10 mil pessoas no horário de pico. Esses veículos também ressaltaram o tom político-partidário do ato, com adesivos do presidente Lula, a definição do movimento como antirracista e antifascista, e cartazes que cobravam o próprio Lula pela legalização, chamavam o governador Tarcísio de Freitas de 'carniceiro' e ofendiam o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os três lados convergem em que a legalização ainda enfrenta forte resistência na sociedade, o que, segundo os organizadores, trava o avanço do debate e mantém o acesso desigual aos produtos canábicos. O que ainda não se sabe é se e quando o tema avançará no Congresso ou no Judiciário, qual seria o desenho concreto de um eventual mercado legal e como o poder público responderá às cobranças feitas no ato.