André Mendonça resiste a deixar a relatoria do caso Banco Master no STF
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À direita, o episódio é lido como pressão política e institucional sobre um ministro que decidiu tirar o sigilo de documentos incômodos ao poder. Nesse enquadramento, André Mendonça retirou o sigilo de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes e, logo depois, viu surgirem conversas de bastidores entre o Palácio do Planalto e integrantes do Supremo Tribunal Federal apontando que haveria maioria contra qualquer afastamento de Moraes e disposição para levar ao plenário a retirada de Mendonça da relatoria. O pedido dos 17 parlamentares governistas é descrito como movimento partidário para blindar aliados, e a resistência do ministro em abrir mão do caso aparece como defesa da independência do relator sorteado.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou a assessores que não pretende deixar a relatoria das investigações sobre o Banco Master, apesar de a troca de relator ser discutida nos bastidores da Corte como saída para a crise aberta pela divulgação de mensagens do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro.
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Todos os lados registram que a relatoria do caso Banco Master já trocou uma vez, saindo de Dias Toffoli para André Mendonça por sorteio, e que a divulgação de mensagens do celular de Daniel Vorcaro abriu uma crise dentro do Supremo Tribunal Federal, com discussão sobre nova troca de relator.
A relatoria das investigações sobre o Banco Master voltou ao centro da crise no Supremo Tribunal Federal. André Mendonça afirma a assessores que não pretende deixar o caso, enquanto parlamentares pedem sua suspeição à Procuradoria-Geral da República e ministros discutem nos bastidores levar a troca de relator ao plenário.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a assessores que não pretende abrir mão da relatoria das investigações sobre o Banco Master, apesar de a troca de relator vir sendo apontada nos bastidores da Corte como uma saída para a crise em torno do caso. Segundo a cobertura, o ministro disse não ter sido procurado por nenhum colega para tratar do assunto e não ver, neste momento, motivo para deixar o processo.
A relatoria já mudou uma vez. O caso estava sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli, que saiu depois que a Polícia Federal encontrou menções ao seu nome em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, situação somada a questionamentos sobre a ligação de familiares do ministro com um resort no Paraná em que um fundo ligado ao banco havia comprado participação. Mendonça foi escolhido por sorteio como novo relator, e é nesse contexto que ministros voltam a discutir uma nova troca no comando do processo.
A cobertura de centro relatou o núcleo da controvérsia atual: ao assumir o caso, Mendonça requisitou cópia do material bruto extraído do celular de Vorcaro, e a Procuradoria-Geral da República reagiu, acusando o ministro de fazer uma imersão nos autos para buscar indicativos de envolvimento de Alexandre de Moraes. Para a Procuradoria, a medida ultrapassaria a fronteira entre as atribuições do juiz e as do investigador, já que cabe ao magistrado zelar pela legalidade da apuração, e não conduzir diligências. Mendonça responde que os dados nunca foram acessados e que o material permanece lacrado em um cofre no gabinete. O ministro também demonstrou incômodo, em conversas com assessores, com relatórios de inteligência da Polícia Federal anexados por Moraes ao inquérito das fake news.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo. Um deles destacou que a retirada do sigilo de documentos determinada por Mendonça, na véspera de uma sessão plenária, expôs mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes e ampliou a tensão interna da Corte. O mesmo enquadramento deu relevo a uma apuração televisiva segundo a qual conversas entre integrantes do Palácio do Planalto e ministros indicariam maioria contrária a qualquer afastamento de Moraes e, ao mesmo tempo, disposição para levar ao plenário a retirada de Mendonça da relatoria, o que é lido como peso desigual entre os dois ministros. Outro veículo do mesmo campo noticiou de forma mais contida o pedido protocolado por 17 deputados de PT, PCdoB, PSOL e Rede à Procuradoria-Geral da República, para que avalie a suspeição de Mendonça, além de petição enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a substituição do relator.
O argumento dos parlamentares é de tratamento desigual: houve quebra de sigilo em material que atinge o senador Jaques Wagner e as mensagens envolvendo Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, enquanto seguem sob sigilo as apurações sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, que teria recebido recursos de Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro. Os deputados também cobram esclarecimentos sobre o encontro entre Mendonça e Vorcaro em março de 2025, que o ministro confirma ter ocorrido uma única vez e que, segundo ele, tratou apenas de uma ação sobre precatórios.
Entre os veículos de esquerda, o caso ainda não ganhou cobertura própria no conjunto analisado. A leitura provável desse campo, a partir dos fatos disponíveis, acompanha a petição dos parlamentares: a assimetria no tratamento do sigilo e a manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o papel do relator bastariam para justificar o exame de suspeição, sem que isso configure ataque à independência do Supremo.
O que ainda não se sabe é se a Procuradoria-Geral da República vai acolher o pedido de suspeição, se o plenário do STF chegará a pautar a troca de relatoria e em que prazo, e qual é o conteúdo integral do material extraído do celular de Vorcaro que segue sob custódia. Também não há confirmação oficial das conversas de bastidores entre o governo federal e ministros da Corte, atribuídas a apuração jornalística e não a manifestação de nenhum dos envolvidos.
Parlamentares do PT e de partidos aliados pediram que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie a suspeição do ministro André Mendonça e requeira seu afastamento da relatoria das investigações do Banco Master

Conversas entre integrantes do Palácio do Planalto e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que há uma maioria na

O ministro André Mendonça afirmou a assessores não ter sido procurado por colegas para deixar o comando da investigação, nem vê motivo para isso.
