O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não recebeu da Meta, empresa que controla o Facebook e o Instagram, as informações que havia solicitado sobre uma suposta rede de perfis falsos usada para atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Os prazos fixados pela Corte já se encerraram e, segundo integrantes do tribunal, a plataforma não encaminhou os dados pedidos até o momento.
A solicitação decorre de uma representação protocolada em 20 de julho pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. No documento, a equipe do candidato afirma ter identificado pelo menos 20 mil perfis falsos, que teriam movimentado cerca de R$ 20 milhões para impulsionar conteúdos com ataques e acusações contra o senador. Marinho chegou a se reunir com o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, para expor os argumentos da campanha e pedir providências. A expectativa da Justiça Eleitoral é que os dados da plataforma ajudem a identificar a origem das contas e a verificar eventuais irregularidades no uso de publicidade e impulsionamento durante o período eleitoral.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e a cobertura é de fonte única, o que limita qualquer comparação entre enquadramentos. Esse relato adota o ponto de vista da campanha que apresentou a denúncia e descreve o silêncio da plataforma como descumprimento de prazo judicial. Não há, no material disponível, manifestação da empresa, avaliação independente sobre a metodologia que levou aos números de contas e de gastos, nem posicionamento de adversários do senador. A própria reportagem pondera que a existência dos perfis e a movimentação financeira citada seguem em apuração e não representam, por si só, conclusão da Justiça Eleitoral sobre irregularidade.
Também permanece indefinido o que o tribunal fará diante do prazo vencido: se haverá multa, nova intimação ou outra medida coercitiva contra a Meta, e qual o rito e o prazo de conclusão da apuração dentro do calendário eleitoral. Não se sabe quantas das contas apontadas foram efetivamente verificadas, quem as teria financiado, nem se o impulsionamento descrito foi contratado dentro ou fora das regras de propaganda eleitoral. Enquanto essas perguntas não forem respondidas, o caso permanece no terreno de uma acusação apresentada por uma das campanhas, sem confirmação de terceiros e sem decisão da Justiça Eleitoral.