Alexandre de Moraes usaria inquérito sobre Flávio Bolsonaro contra impeachment
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A cobertura de centro publicou uma nota de bastidor afirmando que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, usará o inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz como escudo contra o impeachment no Senado. A tese é atribuída a aliados de Flávio e a integrantes do governo Lula, sem fonte nomeada e sem resposta do ministro.
A cobertura de direita reproduziu a nota de bastidor sobre Alexandre de Moraes e o inquérito contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, mas trocou a afirmação por possibilidade e acrescentou ressalvas: chamou a tese de interpretação não confirmada pelo ministro e lembrou que inquérito e medidas judiciais não comprovam crime.
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2 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
A cobertura de centro afirma que Moraes usará o inquérito como escudo contra o impeachment. Veículos de direita tratam a mesma tese como possibilidade e interpretação política não confirmada pelo ministro, e ressaltam que o inquérito não comprova crime.
As duas coberturas registram que Alexandre de Moraes relata o inquérito sobre lavagem de dinheiro com casas de apostas envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, que suspendeu os passaportes de Willer em 23 de outubro e que mandou intimar Flávio a entregar os dele após o segundo turno.
O ministro Alexandre de Moraes relata o inquérito sobre lavagem de dinheiro com casas de apostas que tem como alvos o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Uma nota de bastidor diz que ele usaria a investigação contra a pressão por impeachment no Senado; a tese é atribuída a aliados e não foi confirmada pelo ministro.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, é relator de um inquérito que apura possível lavagem de dinheiro com uso de casas de apostas pelo senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, e pelo advogado Willer Tomaz, de quem o senador se diz amigo pessoal. Uma nota de bastidor publicada em 27 de outubro afirmou que Moraes usará o andamento dessa investigação como escudo contra a pressão bolsonarista por seu impeachment no Senado.
A tese não vem do ministro. Segundo a nota, ela é uma aposta de aliados de Flávio e de integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pano de fundo citado é a eleição de uma ampla bancada de direita para o Senado.
Os fatos que sustentam o relato aparecem nos dois textos analisados. Na sexta-feira, 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno, Moraes mandou suspender os passaportes de Willer Tomaz. Segundo a Polícia Federal, o advogado entrou nos Estados Unidos em 22 de agosto e não há registro de saída. Horas depois da derrota de Flávio para Lula no segundo turno presidencial, o ministro mandou a Polícia Federal intimar o senador a entregar seus passaportes. A nota acrescenta que, para a estratégia dar certo, Moraes precisaria também da reeleição de Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, à presidência do Senado em 2027.
A cobertura de centro apresentou a leitura em tom afirmativo, no futuro do indicativo, sem ouvir Moraes, Flávio ou Willer. Veículos de direita reproduziram o mesmo relato com outro grau de cautela. O texto trocou a certeza pela possibilidade, disse que se trata de uma interpretação sobre interesses políticos e não de uma estratégia oficialmente confirmada por Moraes, e lembrou que a existência do inquérito e das medidas judiciais não comprova crime dos investigados. Também classificou como análise política, e não fato comprovado, a dependência da reeleição de Alcolumbre. Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no conjunto analisado.
As duas coberturas compartilham a mesma limitação: dependem de fontes não nomeadas para a tese central e não registraram a versão do ministro nem a das defesas.
Até a manhã de 27 de outubro, quando saíram as matérias analisadas, não havia manifestação pública de Moraes sobre a suposta estratégia, nem informação sobre o estágio do inquérito, sobre o cumprimento da intimação a Flávio ou sobre o paradeiro de Willer Tomaz. Os textos também não citavam pedido de impeachment formalizado contra o ministro.
Aposta em Brasília é de que Alexandre de Moraes usará andamento de inquérito contra Flávio e Willer Tomaz para evitar seu impeachment

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderá usar o andamento de uma investigação contra o senador
