
Mulheres vão às ruas pela aprovação do PL da Misoginia neste domingo (2)
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Manifestações realizadas no domingo, 2 de agosto de 2026, em capitais e cidades do interior cobraram que a Câmara dos Deputados vote o Projeto de Lei 896/2023, o chamado PL da Misoginia. Convocados pelo movimento Levante Mulheres Vivas, os atos tiveram como alvo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a quem cabe definir a pauta do plenário. O texto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), foi aprovado por unanimidade no Senado e insere a misoginia entre as condutas punidas pela Lei do Racismo, com pena de dois a cinco anos e caráter inafiançável e imprescritível. A relatoria na Câmara é da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Esquerda
A ida às ruas expõe a distância entre um consenso social já formado e a inércia do Legislativo. Um projeto aprovado por unanimidade no Senado, com urgência confirmada em plenário, segue engavetado enquanto o país registra o maior número de feminicídios desde que a estatística passou a ser contabilizada.
Centro
Manifestações realizadas no domingo, 2 de agosto de 2026, em capitais e cidades do interior cobraram que a Câmara dos Deputados vote o Projeto de Lei 896/2023, o chamado PL da Misoginia. Convocados pelo movimento Levante Mulheres Vivas, os atos tiveram como alvo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a quem cabe definir a pauta do plenário.
Direita
Sem cobertura neste espectro.
Veículos com viés à esquerda
Registro duplicado do mesmo texto sob endereço alternativo do veículo, com o mesmo enquadramento: legislação de proteção como avanço, oposição parlamentar como entrave e dados oficiais de feminicídio mobilizados para sustentar a urgência da votação. Bias idêntico ao da versão canônica, com a ressalva de que a duplicidade não acrescenta apuração nova ao conjunto da cobertura.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
É o texto mais completo do conjunto: registra o placar da urgência (293 a 158), a autoria do projeto, a alteração feita pela relatora para não criminalizar opinião, a emenda do deputado da oposição na Comissão de Segurança Pública e o número de feminicídios do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ainda assim, o enquadramento é de esquerda: a seção sobre a emenda é apresentada apenas pela ótica de quem a considera esvaziadora, o subtítulo 'projeto enfrenta resistência' localiza a oposição como obstáculo, e o pedido de apoio financeiro ao final reafirma o posicionamento editorial de mídia independente. A pauta é tratada como avanço a ser destravado.
Perspectivas omitidas
O texto é publicado em editoria explicitamente feminista e assinado por uma articulação de feministas, adotando integralmente o enquadramento do movimento convocante: a violência 'começa no discurso de ódio' e criminalizar é 'enfrentar essa violência desde a raiz'. Vocabulário de direitos coletivos e de enfrentamento estrutural, sem qualquer voz divergente. Os elementos factuais (autoria do PL, aprovação unânime no Senado, relatoria, pena prevista, cidades com ato) estão corretos, mas o arranjo narrativo é de mobilização, não de reportagem equilibrada.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
A matéria abre com sumário técnico do projeto — tipificação da injúria por misoginia, equiparação ao crime de racismo, pena de 2 a 5 anos, exigência de 'exteriorização' da conduta, ajuste no Código Penal para evitar sobreposição — antes de dar espaço às fontes. Esse bloco explicativo, neutro em vocabulário, é o que ancora o texto no centro. As falas do movimento e da relatora são atribuídas com aspas e verbos declarativos, sem que o repórter assuma a tese. Falta o contraditório do partido citado como obstáculo, o que puxa a peça para a borda do centro, mas não configura enquadramento ideológico próprio.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Milhares de mulheres foram às ruas no domingo, 2 de agosto de 2026, para cobrar da Câmara dos Deputados a votação do Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia. Os atos foram convocados pelo movimento Levante Mulheres Vivas e tiveram um destinatário claro: o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), a quem cabe decidir o que entra na pauta do plenário. A mobilização ocorreu às vésperas da retomada dos trabalhos do Congresso Nacional após o recesso parlamentar, com a exigência de que a matéria seja apreciada ainda em agosto. Nas redes sociais, a campanha circulou sob a etiqueta que pede a votação imediata da proposta.
O conteúdo do projeto é descrito de forma convergente por toda a cobertura. De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), o texto foi aprovado por unanimidade no Senado em março e insere a misoginia entre as condutas punidas pela legislação de combate ao racismo. A pena prevista é de dois a cinco anos de prisão, mais multa, e o crime passa a ser inafiançável e imprescritível. Há previsão de punição agravada para casos praticados na internet com objetivo de lucro, audiência ou engajamento, além de campanhas públicas de conscientização. Em julho, a Câmara aprovou o regime de urgência por 293 votos a 158, o que permite que a proposta vá direto ao plenário sem passar pelas comissões temáticas. A relatoria é da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que alterou a redação vinda do Senado para explicitar que opiniões, crenças e sentimentos não são criminalizados, apenas condutas concretas de incitação à violência ou à discriminação.
A partir daí as ênfases se separam. Veículos de esquerda organizaram a matéria em torno da urgência humanitária e da resistência parlamentar: registraram que o país teve 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde o início da contagem, segundo o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que quase 80% delas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, que 70 tinham medida protetiva em vigor e que houve mais de 132 mil descumprimentos dessas medidas no ano. Esses veículos deram destaque à fala do movimento de que a violência começa no discurso de ódio e ao diagnóstico de que a bancada evangélica e parte da oposição travam a proposta. A cobertura de centro deu mais espaço ao desenho técnico do parecer, detalhando a tipificação da injúria por misoginia, a exigência de que haja exteriorização da conduta e o ajuste no Código Penal para evitar sobreposição de crimes; também ouviu a relatora, que afirmou ter dialogado com todas as agremiações e que apenas um partido não a recebeu, e registrou que o movimento pediu audiência à presidência da Câmara sem ter recebido sinalização negativa.
Veículos de direita não produziram cobertura própria da mobilização no conjunto analisado, o que faz deste um ponto cego. O contraponto que costuma ser associado a esse campo aparece apenas em segunda mão, relatado pelas outras coberturas: a emenda aprovada na Comissão de Segurança Pública, de autoria de um deputado da oposição, estabelece que manifestações de opinião, convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política não configuram crime, desde que não representem incitação direta e inequívoca à violência ou à discriminação. Para entidades de defesa dos direitos das mulheres, o dispositivo pode esvaziar a lei; juristas citados nas reportagens apontam ainda risco de efeitos sobre a aplicação da própria legislação antirracista. Vale notar que o projeto passou sem voto contrário no Senado, o que indica apoio transversal ao mérito.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há data para a votação nem manifestação pública da presidência da Câmara sobre pautar a matéria, e as coberturas divergem sobre o alcance dos atos, que aparecem ora em oito, ora em doze, ora em dezenove cidades, sem número consolidado de participantes. Também segue em aberto se a emenda que resguarda manifestações de opinião permanecerá no texto levado ao plenário e se o pedido de audiência do movimento será atendido.
Todas as coberturas descrevem o mesmo núcleo factual e nenhuma defende a violência contra a mulher: o PL 896/2023 foi aprovado por unanimidade no Senado, teve urgência aprovada na Câmara por 293 a 158, tem relatoria de Tabata Amaral e depende exclusivamente da decisão do presidente da Casa para ir a plenário. Há convergência também sobre a necessidade de separar com clareza conduta punível de manifestação de opinião — foi por isso que a relatora alterou o texto vindo do Senado.

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Falácias identificadas



