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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou nesta terça-feira ter participado da produção dos vídeos em que Michelle Bolsonaro critica o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Nikolas afirmou que renunciará ao mandato se houver provas de envolvimento. A negativa responde a uma apuração da jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, segundo a qual integrantes ligados à equipe do deputado teriam ajudado a roteirizar e gravar o material.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou nesta terça-feira, 7 de julho, ter qualquer participação na produção dos vídeos em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro critica o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar mineiro foi além e prometeu deixar o mandato caso alguém comprove seu envolvimento. "Não tive qualquer participação nisso. E digo mais: se conseguirem provar que eu participei, coordenei ou me envolvi na produção desse vídeo, eu renuncio ao meu mandato", escreveu.
A reação veio depois de a jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, afirmar que integrantes ligados à equipe do deputado teriam ajudado Michelle a roteirizar e gravar as gravações. Segundo a apuração, a divulgação dos vídeos não teria sido um gesto espontâneo, mas parte de uma estratégia política em meio à disputa interna da direita. Nikolas atribuiu a versão a aliados do senador, dizendo que "membros da equipe do Flávio" estariam espalhando a narrativa contra ele.
O pano de fundo é conhecido pelas duas coberturas. Na noite de 24 de junho, Michelle divulgou dois vídeos com duras críticas a Flávio, afirmando ter sido humilhada pelos filhos do marido e tratada "como se fosse idiota". O episódio expôs um racha dentro do clã Bolsonaro e impôs novo revés à pré-campanha presidencial do senador. Meses antes, em abril, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro já havia atacado Nikolas, acusando-o de dar visibilidade a quem desejaria a morte de Jair Bolsonaro e de desrespeitar a família.
A cobertura de esquerda, representada pelo Diário do Centro do Mundo, enfatizou o enquadramento do racha aberto no bolsonarismo e do desgaste que a crise impõe ao projeto presidencial da família, destacando o incômodo de Michelle com o espaço reservado a ela nas articulações do PL. Já veículos de direita, como a Veja, deram maior relevo à defesa do deputado e à nota oficial de sua assessoria, que afirma que nem Nikolas nem qualquer integrante de sua equipe participou de "concepção, roteirização, produção, gravação, edição ou qualquer outra etapa" do material, classificando a acusação como especulação sem comprovação. Ambos os lados, contudo, convergem nos fatos centrais: a negativa pública, a promessa de renúncia e a apuração da GloboNews.
Nikolas também rebateu a informação de que estaria montando uma bancada para deixar o PL. Disse que, se essa fosse a intenção, já teria trocado de partido, e afirmou trabalhar para eleger deputados "legitimamente de direita". O deputado reclamou reiteradamente de "fogo amigo" e acusou adversários internos de fabricar narrativas.
O que ainda não se sabe é o essencial: não há, até o momento, qualquer prova apresentada de que a equipe de Nikolas tenha participado da produção dos vídeos, e o senador Flávio Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre a acusação de que seus aliados estariam por trás da versão. Também permanece em aberto se o episódio terá desdobramentos formais dentro do PL.
A crise atinge diretamente a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026 e expõe disputa por espaço e por uma futura bancada no PL, com efeito sobre o arranjo de forças da direita.
Os dois lados relatam os mesmos fatos centrais: Nikolas negou publicamente participação nos vídeos, prometeu renunciar caso haja provas e respondeu a uma apuração da GloboNews. Ambos reconhecem o episódio como um racha no bolsonarismo.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
O texto do DCM relata os fatos da negativa de Nikolas e da apuração da GloboNews, mas seleciona o enquadramento do racha do bolsonarismo e do 'fogo amigo', destacando o desgaste na direita. Tom levemente crítico ao campo bolsonarista, típico do veículo, ainda que apoiado em falas reais.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Veja reproduz com destaque a defesa de Nikolas e a nota da assessoria negando envolvimento, dando amplo espaço à versão do deputado e ao enquadramento de 'fogo amigo' interno. A escolha de priorizar a autodefesa e a menção às 'narrativas' contra ele reflete leitura mais próxima do campo à direita.
Perspectivas omitidas

Nikolas Ferreira nega ter ajudado Michelle Bolsonaro em vídeo contra Flávio e diz que renuncia se provarem envolvimento.

Deputado disse que, se houver provas de que ajudou a ex-primeira-dama, renunciará ao seu mandato parlamentar
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