‘Nova etapa’ para o Peru, promete Keiko Fujimori após proclamação oficial de sua vitória
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A conservadora Keiko Fujimori venceu a eleição peruana por uma margem estreitíssima, e o resultado reabre feridas do fujimorismo. Filha de Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violações de direitos humanos, Keiko chega ao poder num pleito cuja legitimidade é contestada pelo adversário de esquerda Roberto Sánchez, herdeiro político de Pedro Castillo, hoje preso. Sánchez denuncia irregularidades e levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A vitória foi celebrada pela extrema direita da região, como Milei, Kast e De la Espriella, que a enquadram como derrota do socialismo.
A Justiça Eleitoral do Peru proclamou oficialmente Keiko Fujimori como presidente eleita para o período de 2026 a 2031, encerrando um segundo turno decidido por margem mínima: 50,135% dos votos contra 49,865% do esquerdista Roberto Sánchez.
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Todos os lados reconhecem que Keiko Fujimori foi proclamada oficialmente presidente eleita do Peru por margem mínima (50,135% x 49,865%), que a posse está marcada para 28 de julho e que o pleito marca o retorno do fujimorismo ao poder.
A Justiça Eleitoral do Peru proclamou oficialmente Keiko Fujimori como presidente eleita para o período de 2026 a 2031. O anúncio, feito pelo presidente do Júri Nacional de Eleições, Roberto Burneo Bermejo, encerra um dos capítulos mais tensos das eleições peruanas e consolida o retorno do fujimorismo ao poder, 25 anos depois da queda de Alberto Fujimori. Keiko receberá suas credenciais em 15 de julho e tomará posse em 28 de julho, sucedendo o presidente interino José María Balcázar.
O resultado foi decidido por margem mínima. Segundo a apuração final do segundo turno, realizado em 7 de junho, a candidata conservadora obteve 50,135% dos votos válidos, contra 49,865% do adversário de esquerda, Roberto Sánchez. Eleita na quarta tentativa de chegar à Presidência, Keiko declarou que começa uma nova etapa de responsabilidade, diálogo e resultados, e prometeu recuperar a ordem nas ruas, nas instituições e no Estado. Ela assume com o desafio de combater a criminalidade crescente e reativar uma economia que cresce abaixo do seu potencial.
Os veículos de centro deram destaque à dimensão diplomática do episódio, sobretudo à mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que parabenizou a presidente eleita e se colocou pronto para avançar numa agenda bilateral ambiciosa, com foco em comércio, integração de infraestrutura, combate à fome e proteção da Amazônia. Essa cobertura reproduziu na íntegra a saudação do presidente brasileiro e o placar da eleição, mas deu menos espaço ao contraditório do lado derrotado.
A cobertura de veículos de esquerda enfatizou o peso do legado de Alberto Fujimori, pai da presidente eleita, lembrando que ele governou entre 1990 e 2000 e acumulou condenações por corrupção e por violações de direitos humanos, ainda que apoiadores creditem a ele a estabilização da economia e a derrota das guerrilhas. Esse enquadramento também ressaltou que o adversário Roberto Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, hoje preso após um autogolpe fracassado em 2022, contesta a legitimidade do pleito e recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, alegando irregularidades nos votos no exterior. O Júri Nacional de Eleições já rejeitou o pedido de anulação por considerá-lo infundado.
Veículos de direita, por sua vez, tenderam a enquadrar a vitória como um realinhamento regional, destacando as saudações de Estados Unidos e Argentina e a fala do presidente argentino Javier Milei, para quem o Peru se junta ao bloco de países que decidiram enfrentar o socialismo e defender a liberdade. Políticos de extrema direita do Chile e da Colômbia também parabenizaram a presidente eleita.
O que ainda não se sabe é como o recurso de Sánchez à Comissão Interamericana será tratado e se terá algum efeito prático sobre a posse, marcada para 28 de julho. Também permanece em aberto como Keiko conduzirá um país profundamente dividido, que teve oito presidentes desde 2016, e se conseguirá completar o mandato sem enfrentar as sucessivas crises institucionais que derrubaram seus antecessores.
A presidente eleita receberá suas credenciais no dia 15 de julho e tomará posse no dia 28, sucedendo o presidente interino José María Balcázar

Keiko, que concorria pela direita, venceu a eleição após ter 50,135% dos votos válidos, contra 49,865% do candidato da esquerda, Roberto Sanchéz
