A corrida pelo governo de São Paulo em 2026 ganhou um novo capítulo com o registro, na Justiça Eleitoral, de uma nova pesquisa do Instituto Datafolha sobre a disputa entre o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, do PT. O levantamento, registrado sob o número SP-01703/2026, prevê 1.608 entrevistas presenciais realizadas entre os dias 1º e 3 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A divulgação dos resultados está prevista para começar no domingo, 5 de julho.
A cobertura de centro relatou os detalhes técnicos da pesquisa com precisão: a amostra abrange eleitores da capital, da região metropolitana e do interior, com ponderação por sexo, idade, escolaridade e distribuição geográfica. Do total, 53% dos entrevistados serão mulheres e 47% homens, e ao menos 20% das entrevistas passarão por auditoria de supervisores. Além das intenções de voto para o governo estadual, o Datafolha também medirá a disputa pelas vagas ao Senado por São Paulo. Em rodada anterior do instituto, Tarcísio aparecia com 44% das intenções de voto contra 31% de Haddad, com parte do eleitorado ainda indecisa ou declarando voto branco ou nulo.
Todos os veículos convergem sobre o peso da disputa. São Paulo concentra cerca de um quinto do eleitorado brasileiro e costuma influenciar o debate político nacional, o que torna a eleição estratégica para as articulações rumo à sucessão presidencial e para a formação de alianças partidárias. Tarcísio busca a reeleição após assumir o governo em 2023, enquanto Haddad, ex-prefeito da capital e ex-ministro da Fazenda, tenta retornar à política estadual pelo maior colégio eleitoral do país.
As ênfases da cobertura, porém, se distinguem. Veículos de direita e a leitura mais próxima do campo conservador enfatizaram a vantagem do governador nas pesquisas, sua elevada aprovação na gestão estadual e o apoio consolidado entre setores conservadores e o eleitorado evangélico, sobretudo no interior, apresentando esses índices como trunfos eleitorais. Já a leitura próxima ao campo governista, à esquerda, destacou que Haddad se consolidou como o principal nome petista após debates internos que envolveram Geraldo Alckmin e Simone Tebet, e que o partido aposta em seu histórico político e na força da base ligada ao presidente Lula para reduzir a diferença apontada pelos levantamentos. Nessa leitura, um bom desempenho de Haddad fortaleceria o projeto governista federal, enquanto uma reeleição de Tarcísio consolidaria a liderança do grupo alinhado ao bolsonarismo no estado.
O que ainda não se sabe é o essencial: os números da nova pesquisa. Como a coleta apenas começou e a divulgação está prevista para 5 de julho, ainda não há dados atualizados de intenção de voto, rejeição, desempenho na capital e no interior ou percentual de indecisos. Também permanecem em aberto os cenários para o Senado e a evolução em relação às rodadas anteriores, indicadores que especialistas apontam como centrais para avaliar se a disputa segue estável ou se algum candidato ampliou espaço nas primeiras semanas da pré-campanha.