O Sistema Cantareira, principal manancial de captação e tratamento de água da Grande São Paulo, passou a operar na faixa de alerta a partir de 1º de julho de 2026. O reservatório é responsável pelo abastecimento de cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana. A mudança de classificação foi determinada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) depois que o sistema registrou volume útil de 39,87% no dia 30 de junho.
Esse percentual representa uma leve queda em relação ao mês anterior, quando o volume útil estava em 40,52%, medido em 29 de maio. O recuo já era esperado por causa do início do período seco. Na comparação com junho do ano passado, porém, a diferença é expressiva: houve queda de 18,7% no volume útil, que um ano antes estava em 47,33%.
A cobertura de centro, baseada em despacho da Agência Brasil, detalhou os critérios técnicos da decisão. Quando o volume útil fica entre 30% e 40%, o sistema se enquadra na chamada faixa operacional 3, que é a de alerta. Nesse cenário, pode ser aplicada a Gestão de Demanda Noturna, que reduz a pressão na rede de abastecimento nos horários de menor consumo. A aplicação dessas restrições, no entanto, depende de os índices permanecerem na mesma faixa por sete dias seguidos, o que ainda não havia ocorrido. Com a nova classificação, a Sabesp está autorizada a retirar do Cantareira até 27 metros cúbicos por segundo e pode utilizar a água transportada do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari.
Os veículos de direita, como o noticiário da Record News, enfatizaram o caráter operacional e previsível da mudança, destacando que a nova classificação não deve impactar o abastecimento de água na região. O foco recaiu sobre a capacidade técnica de gestão do sistema e a normalidade do ajuste diante da estiagem.
Já os veículos de esquerda, como a CartaCapital, deram relevo à queda de 18,7% no volume útil em um ano e à importância das medidas de conservação. Em nota conjunta, ANA e SP Águas reforçaram a importância da adoção de medidas de gestão da demanda, tanto para reduzir consumo e perdas quanto para estimular o uso racional do recurso pela população. As agências orientaram os usuários a usar a água de maneira consciente, visando à conservação das reservas.
O que ainda não se sabe é se a estiagem vai aprofundar a queda a ponto de acionar as restrições de demanda noturna, nem por quanto tempo o sistema permanecerá na faixa de alerta. Também não há, nas matérias, projeção sobre a evolução do volume útil ao longo do período seco de 2026.