Augusto Cury defende semipresidencialismo enquanto centrão fica neutro em 2026
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A leitura à esquerda vê nas propostas de Augusto Cury um pacote que mexe em instituições de controle sem responder quem ganha com a mudança. Retirar a vitaliciedade dos ministros do Supremo Tribunal Federal e reduzir o tamanho da Corte é apresentado como accountability, mas fragiliza a independência do Judiciário diante de maiorias parlamentares de ocasião, e o semipresidencialismo transfere a chefia de governo para um primeiro-ministro escolhido no mesmo Congresso hoje criticado por capturar o orçamento. Na única correção factual aplicada ao candidato, a cobertura desse campo lembrou que a promessa de deixar o beneficiário do Bolsa Família entrar no mercado formal sem perder a renda já existe na Regra de Proteção, o que expõe uma crítica ao programa construída sobre premissa errada. A neutralidade de MDB, União Progressista e Republicanos é lida como pragmatismo de elite partidária: legendas que trocam compromisso programático por espaço nos governos estaduais e por poder de barganha depois da eleição.
Em sabatina televisiva realizada em 18 de agosto de 2026, o candidato à Presidência Augusto Cury, do Avante, defendeu a substituição do presidencialismo brasileiro pelo semipresidencialismo, modelo em que o presidente eleito diretamente divide a condução do país com um primeiro-ministro sustentado pela maioria do Congresso.
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As duas frentes de cobertura descrevem uma eleição em que a Presidência perdeu centralidade: uma candidatura propõe dividir o poder do Executivo com um primeiro-ministro e quatro legendas do centro concluem que dá para disputar 2026 sem candidato presidencial, apostando em governos estaduais e bancadas no Congresso.
O candidato à Presidência Augusto Cury, do Avante, defendeu em sabatina a adoção do semipresidencialismo, com um primeiro-ministro sustentado pela maioria do Congresso, além de mandatos de oito anos no Supremo Tribunal Federal e da troca da escala 6x1 pela 5x2. No mesmo ciclo, MDB, União Progressista e Republicanos declararam neutralidade na corrida presidencial e liberaram seus diretórios estaduais.
A disputa presidencial de 2026 recebeu nesta semana dois movimentos que raramente aparecem juntos: uma candidatura que propõe mudar o próprio desenho do poder e um bloco de partidos do centro que decidiu não escolher lado. Em sabatina televisiva realizada em 18 de agosto, o candidato à Presidência Augusto Cury, do Avante, voltou a defender a adoção do semipresidencialismo no Brasil, sistema em que o presidente, ainda eleito diretamente, divide a condução do país com um primeiro-ministro sustentado pela maioria do Congresso. “A figura do superpresidente no País é um problema sério”, afirmou. No modelo que descreve, o presidente ficaria com as atribuições estratégicas do Estado e o primeiro-ministro com a administração cotidiana.
A proposta veio acompanhada de um pacote institucional mais amplo. Cury defendeu o fim da vitaliciedade dos ministros do Supremo Tribunal Federal, com mandatos de oito anos, a redução do número de integrantes da Corte e o fim da reeleição presidencial. Também apoiou a substituição da escala de trabalho 6x1 pela 5x2, com dois dias de descanso semanal, e disse pretender estimular beneficiários do Bolsa Família a entrar no mercado formal ou abrir microempresa sem perder imediatamente a renda do programa. A mudança de sistema de governo não é inédita no debate: a PEC 2/2025 tramita na Câmara dos Deputados, mantém a eleição direta para presidente e cria um primeiro-ministro escolhido entre parlamentares, mas corre de forma independente da candidatura. No início de agosto, o candidato já havia colocado o tema entre suas reformas, anunciado Júlio Delgado como vice e dito que convidaria Tarcísio de Freitas para o cargo de primeiro-ministro.
No mesmo tabuleiro, a montagem das candidaturas seguiu caminho oposto ao da tradição recente. Enquanto Lula reuniu sete partidos em torno de seu nome, entre eles PT, PCdoB, PV, PSB, Psol, Rede e PDT, o MDB, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e o Republicanos declararam neutralidade na disputa presidencial. No caso do MDB, é a primeira vez em vinte anos que a legenda chega à eleição sem candidatura própria nem apoio nacional a outro presidenciável.
A cobertura de centro tratou essa neutralidade como cálculo, não como fraqueza. O argumento é federativo: o presidente do MDB, Baleia Rossi, sustentou que liberar os diretórios fortalece o partido nos estados, e o mapa das convenções dá razão prática à tese, com a mesma federação ao lado do PL em estados como Bahia, Goiás e São Paulo e junto ao PT no Amapá, Pará, Paraíba e Sergipe. Na Bahia, ACM Neto disputa o governo em coligação que inclui o PL; no Amapá, Clécio Luís lidera aliança que reúne a federação petista; na Paraíba, Hugo Motta declarou apoio à reeleição de Lula. Essa cobertura acrescenta que o fortalecimento do controle do Congresso sobre o orçamento reduziu a dependência dos partidos em relação à Presidência, o que torna menos custoso ficar sem candidato nacional.
Veículos de esquerda concentraram-se na sabatina e no conteúdo das propostas, com uma checagem aplicada ao ponto mais frágil do candidato: ao criticar o desenho do Bolsa Família, Cury descreveu como novidade um mecanismo que já existe, porque as regras atuais preveem que ter carteira assinada ou ser MEI não provoca exclusão automática do programa e famílias que aumentam a renda podem permanecer na chamada Regra de Proteção. Essa cobertura também destacou a redução da jornada de trabalho como o item do pacote com efeito direto sobre o assalariado.
Não há, até o momento, cobertura de veículos de direita sobre nenhum dos dois movimentos, o que deixa sem contraponto público tanto o debate sobre limitar mandatos no Supremo Tribunal Federal quanto o custo eleitoral da neutralidade para o campo conservador.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma das coberturas informa qual apoio parlamentar a candidatura de Augusto Cury reúne, se a PEC 2/2025 tem prazo ou pauta para votação na Câmara, nem se MDB, União Progressista e Republicanos pretendem apoiar algum nome em eventual segundo turno. Também não há estimativa do custo da migração da escala 6x1 para a 5x2 nos setores afetados, nem manifestação de juristas sobre o fim da vitaliciedade no Supremo.
Por Samuel Carioca. Em 2026, a neutralidade presidencial tornou-se uma estratégia eleitoral para que o centrão monte Estado por Estado, a aliança que custa menos e rende mais, enquanto a esquerda ...

Modelo defendido por Cury mantém presidente eleito pelo voto, mas transfere parte da administração a um primeiro-ministro.
