Augusto Cury tem cinco livros sobre Jesus criticados como pseudociência
Relato de fonte única, atribuído a UOL. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Artigo de opinião do sociólogo Valdinei Ferreira, doutor pela Universidade de São Paulo, analisa os cinco livros que Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, escreveu sobre Jesus. O autor sustenta que a proposta de estudar Jesus pela psiquiatria e pela psicologia resulta em leitura religiosa revestida de termos científicos.
Briefing
O que importa para você
- Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, é autor de cinco livros sobre Jesus que se apresentam como análise científica.
- A crítica aponta erro de leitura bíblica e preconceito de gênero na interpretação da mulher samaritana.
O que ainda está incerto
- Augusto Cury e sua campanha não responderam às críticas no texto publicado.
- Não há, até agora, avaliação de outros especialistas em psicologia ou teologia sobre as obras.
O sociólogo Valdinei Ferreira, doutor pela USP, publicou um artigo de opinião sobre os cinco livros que Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, escreveu sobre Jesus. Ele sustenta que a obra é leitura religiosa com termos científicos. Até agora, só um veículo tratou do tema, e o texto não traz resposta do candidato.
Os livros de Augusto Cury sobre Jesus viraram alvo de crítica pública em plena campanha presidencial. Cury, escritor e candidato à Presidência da República pelo partido Avante, é autor de cinco obras dedicadas à figura de Jesus. Até o momento, apenas um veículo tratou do tema, por meio de um artigo de opinião assinado pelo sociólogo Valdinei Ferreira, doutor pela Universidade de São Paulo.
Segundo o texto, Cury declara no início da série que pretende estudar Jesus sob a ótica da ciência, valendo-se sobretudo da psiquiatria e da psicologia. O articulista sustenta que o resultado é uma leitura essencialmente religiosa, na qual passagens bíblicas recebem termos científicos como recurso de retórica. Os episódios dos evangelhos, afirma, são comentados de forma livre e ligados a conceitos psicológicos criados pelo próprio Cury em livros anteriores.
O exemplo central da crítica é a leitura do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, narrado no Evangelho de João. Cury escreve que a necessidade contínua de mudar de parceiro sexual seria evidência clara da dificuldade da samaritana de sentir prazer. Para o sociólogo, a interpretação não tem base histórica nem textual e revela preconceito de gênero. Ele lembra que, no mundo antigo, o divórcio era prerrogativa masculina, e que uma mulher com vários maridos havia sido repudiada ou ficado viúva.
A coluna também aponta contradição de método. No primeiro volume, Cury afirma que a ciência foi tímida e omissa ao investigar a inteligência de Cristo, mas pouco depois diz que os pensamentos de Cristo extrapolam os parâmetros científicos. Ao tratar do nascimento virginal, o escritor argumenta que a ciência não poderia classificá-lo como impossível porque existe a clonagem. O texto relata ainda que Cury defende a inclusão do estudo da personalidade de Jesus nos cursos de psicologia, de preferência com a própria coleção.
A conclusão do artigo é que as obras são interpretações devocionais sem contribuição científica real. O fecho tem tom irônico: pretensão e falta de clareza metodológica seriam, talvez, pré-requisitos para o sucesso político. O artigo não traz resposta de Cury nem de sua campanha.
Como a cobertura vem de uma fonte única e opinativa, não há até agora outras leituras publicadas sobre o assunto. Ainda não se sabe se o candidato vai responder às críticas, nem se o debate sobre seus livros ganhará espaço na campanha presidencial.
Fontes
Cury deixa de analisar apenas os pensamentos do homem Jesus e passa a pretender examinar a própria mente de Deus
