
O pedido da AGU para Justiça dos EUA arquivar ação de Rumble e Trump Media contra Moraes
Resumo da cobertura
A Advocacia-Geral da União, atendendo a pedido do presidente do STF, Edson Fachin, acionou a Justiça dos Estados Unidos para pedir o arquivamento do processo movido pela Trump Media e pela plataforma Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes. A AGU sustenta que decisões da Suprema Corte brasileira não podem ser revistas por tribunais estrangeiros e invoca o princípio da imunidade de jurisdição. Em paralelo, a 20ª Vara Federal do DF rejeitou uma ação popular que tentava impedir a AGU de defender Moraes no exterior.
A Advocacia-Geral da União entrou na Justiça dos Estados Unidos para pedir o arquivamento do processo movido pela Trump Media e pela plataforma de vídeos Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A petição foi protocolada em um tribunal federal da Flórida a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. No documento, a AGU pede o ingresso formal do Estado brasileiro no caso e sustenta que decisões da Suprema Corte do Brasil não podem ser questionadas por tribunais de outros países.
O argumento central da AGU é jurídico. O órgão invoca o princípio da imunidade de jurisdição, previsto no Direito Internacional e reconhecido pela legislação norte-americana, segundo o qual atos praticados por autoridades de um Estado soberano não podem ser julgados por cortes estrangeiras sem o consentimento do país envolvido. A AGU afirma que o Brasil não consentiu e não consentirá com a revisão de decisões do STF por juízes de outros países, e classifica a ação das empresas como uma tentativa de afrontar a soberania nacional e a independência do Judiciário.
Do outro lado, as empresas americanas buscam barrar a aplicação de ordens de restrição e bloqueio emitidas por Moraes no Brasil. Elas alegam que essas medidas configuram censura e violam garantias constitucionais dos Estados Unidos, e acusam o ministro de promover censura contra cidadãos e plataformas americanas. O Rumble está fora do ar no Brasil desde fevereiro de 2025.
A cobertura de centro relatou, com detalhamento da decisão judicial, que a 20ª Vara Federal do Distrito Federal rejeitou uma ação popular que tentava impedir a AGU de atuar na defesa de Moraes. A juíza federal Adverci Rates Mendes de Abreu entendeu que a ação popular não é a via adequada para discutir a questão e extinguiu o processo sem resolução do mérito, por entender que os pedidos não objetivavam anular atos administrativos lesivos, mas impor medidas de gestão. Com isso, permanece válida a autorização para que a AGU defenda o ministro na Flórida.
Veículos de esquerda tendem a enquadrar a iniciativa como defesa legítima da soberania nacional e do Estado de Direito diante de uma ofensiva de big techs ligadas ao grupo de Trump que se recusam a cumprir a lei brasileira. Já veículos de direita enfatizaram o enquadramento das empresas de que as ordens de Moraes configuram censura à liberdade de expressão, e abriram espaço ao questionamento sobre o uso da estrutura do Estado para defender um magistrado processado na condição de pessoa física. Fachin, ao autorizar a atuação da AGU, afirmou que o que está em discussão ultrapassa a figura individual do ministro e envolve a independência do Poder Judiciário, a integridade do Estado de Direito e, no limite, a própria soberania nacional.
O que ainda não se sabe é como a corte federal da Flórida responderá ao pedido de ingresso do Estado brasileiro e de arquivamento, qual será o cronograma do processo nos Estados Unidos e se as plataformas recorrerão das decisões adversas no Brasil. Também não há detalhamento público completo sobre o teor das ordens de bloqueio que originaram a disputa.
Briefing
O que importa para você
- A AGU pediu o ingresso formal do Brasil e o arquivamento do processo no tribunal da Flórida.
- A 20ª Vara Federal do DF manteve válida a autorização para a AGU defender Moraes.
- O Rumble segue fora do ar no Brasil desde fevereiro de 2025.
Onde os lados divergem
- Esquerda vê as ordens de Moraes como enfrentamento à desinformação e a defesa da AGU como proteção da soberania.
- Direita vê os bloqueios como censura à liberdade de expressão e questiona o uso da estrutura do Estado para defender um ministro processado como pessoa física.
Onde os lados concordam
Os dois lados reconhecem que a AGU acionou a Justiça dos EUA a pedido de Fachin para defender Moraes e o STF, e que o argumento jurídico central é a imunidade de jurisdição e a soberania nacional. Há concordância de que a ação popular contra a atuação da AGU foi rejeitada na Justiça.
O que ainda está incerto
- Como a corte federal da Flórida vai decidir sobre o pedido da AGU.
- O cronograma do processo nos EUA e se as plataformas vão recorrer.
- O teor completo das ordens de bloqueio que originaram a disputa.
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- MetrópolesJustiça rejeita ação para impedir AGU de defender Moraes nos EUAAdvogado questionava autorização para que a AGU atuasse em favor de Moraes na ação movida pela Rumble e pela Trump Media
Ver análise editorial
Texto factual e equilibrado: relata a rejeição da ação popular que tentava barrar a AGU, cita trechos extensos da decisão da juíza federal e a manifestação de Fachin. Vocabulário técnico-jurídico sem carga ideológica, com paridade entre os argumentos. Enquadramento típico de cobertura de centro.
Fontes

AGU argumenta que decisões judiciais proferidas pela Suprema Corte do Brasil não podem ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros

Advogado questionava autorização para que a AGU atuasse em favor de Moraes na ação movida pela Rumble e pela Trump Media
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