A aula magna do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, terminou em confusão na noite de 2 de julho de 2026, no Teatro de Arena da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. O evento, que tratava de democracia e justiça, foi interrompido depois que um manifestante passou a acusar Haddad de fazer campanha eleitoral antecipada dentro de uma universidade pública. O manifestante é Matheus Pereira, pré-candidato a deputado estadual pelo partido Missão e integrante do Movimento Brasil Livre, o MBL. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram Pereira discutindo com seguranças, sendo retirado do local e, ao virar as costas, recebendo uma rasteira.
Os fatos básicos são consensuais entre as diferentes coberturas. Todos os veículos relatam que a aula foi interrompida, que Pereira acusou Haddad de campanha antecipada, que houve empurrões e uma rasteira registrada em imagens, e que tanto a Unicamp quanto o PT divulgaram notas sobre o episódio. A reitoria da Unicamp condenou os atos de violência, afirmou que a interrupção de uma atividade acadêmica por meio de agressões é inaceitável e informou que vai apurar o caso. O PT, por sua vez, classificou o ocorrido como violência política e prometeu tomar medidas judiciais.
A cobertura de centro relatou o episódio dando paridade às versões em disputa. De um lado, Matheus Pereira alega ter ido ao evento para questionar temas como a chamada taxa das blusinhas e a suposta campanha antecipada, e diz ter sido agredido pelos seguranças de Haddad. De outro, alunos da instituição contestam essa versão e afirmam que o pré-candidato e integrantes do MBL foram ao local para causar confusão. Essa cobertura reproduziu as notas oficiais na íntegra e evitou tomar partido sobre quem provocou o tumulto.
Veículos de esquerda destacaram que a aula tratava de democracia e justiça e enquadraram o caso como mais um ato de violência política premeditada da extrema-direita. Segundo essa leitura, apoiada por relato de uma pessoa presente, o MBL se posicionou estrategicamente e repetiu um modus operandi em busca de engajamento nas redes. Esses veículos também apontaram que a acusação da taxa das blusinhas era frágil, já que o tributo teria sido zerado pelo governo Lula, e lembraram que foi o segundo ataque a uma agenda de Haddad em poucos dias.
Veículos de direita, por outro lado, enfatizaram a figura do manifestante e o mérito de sua queixa. Nessa cobertura, Pereira aparece como quem protestou contra o uso político de um espaço acadêmico e acabou hostilizado e agredido, com destaque para a rasteira que sofreu. Esses veículos registraram ainda que Haddad publicou um balanço da aula, com ênfase em investimentos federais na região, sem fazer qualquer referência ao tumulto, o que foi apresentado como uma forma de o pré-candidato não prestar contas sobre o episódio.
O caso não é isolado. As reportagens lembram que, seis dias antes, outro confronto envolvendo integrantes do MBL e apoiadores de Haddad ocorreu em Santo André, durante a entrega do título de cidadão honorário ao ex-ministro, e também terminou em agressões. O pano de fundo é a disputa pelo governo de São Paulo em 2026, na qual Haddad desponta como principal nome do campo governista.
O que ainda não se sabe é quem, de fato, iniciou as agressões, já que as versões do manifestante e dos alunos são inconciliáveis. Também permanece em aberto o resultado da apuração prometida pela Unicamp e o eventual desdobramento das medidas judiciais anunciadas pelo PT.