A Polícia Federal deflagrou na segunda-feira, 14 de setembro de 2026, a terceira fase da Operação Transparência, que apura suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processos que tramitam em tribunais superiores. O principal alvo é o deputado federal Cezinha de Madureira, do Partido Liberal de São Paulo. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal em decisão do ministro Flávio Dino.
Segundo a corporação, integrantes do grupo investigado teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais. A própria Polícia Federal afirmou não ter elementos que indiquem participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados. A Operação Transparência começou em dezembro de 2025, com foco em irregularidades na destinação de emendas parlamentares do chamado Orçamento Secreto, e ao longo das diligências passou a examinar também a suposta negociação de influência sobre decisões de tribunais.
A cobertura de centro relatou a operação a partir da nota oficial da Polícia Federal e reproduziu na íntegra a manifestação do deputado, que nega irregularidades, diz estar à disposição das autoridades e sustenta que medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral. Essa cobertura também recuperou a origem do caso, quando o ministro Flávio Dino apontou fortes indícios de que Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira, operava o encaminhamento de emendas de maneira informal.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo: a proximidade entre Cezinha de Madureira e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Essa cobertura lembrou que o deputado articulou, em março de 2025, um encontro entre o ministro e Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, em um instituto fundado por Mendonça. O ministro confirmou o encontro e afirmou que o assunto tratado foi um processo sobre pagamento de precatórios, não o banco. Os mesmos veículos deram relevo à advogada Valéria Rodrigues Linhares, ligada ao deputado, com quem a Polícia Federal apreendeu, em agosto, 510 mil reais em dinheiro vivo no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Veículos de direita não produziram cobertura própria do caso até o momento. A leitura previsível desse campo é a que o próprio parlamentar apresentou em nota: presunção de inocência, direito ao contraditório e questionamento sobre o momento escolhido para uma operação de alta repercussão contra um deputado em ano eleitoral.
Há convergência sobre o essencial. A operação existe, é a terceira fase de uma apuração iniciada em dezembro de 2025, tem quatro mandados de busca e apreensão e foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. A divergência está no enquadramento. De um lado, o caso aparece como sintoma da relação entre emendas parlamentares, advocacia de influência e decisões de tribunais. De outro, aparece como medida invasiva que ainda não produziu acusação formal contra ninguém e que atinge um parlamentar às vésperas do calendário eleitoral.
O que ainda não se sabe é quem, além do deputado e da advogada, foi atingido pelos quatro mandados, qual o valor total supostamente negociado, se houve efetivo pagamento e qual foi o desfecho dos processos citados na apuração. Também não está esclarecida a origem dos 510 mil reais apreendidos em agosto, nem se a investigação avançará para pedido de denúncia ao Supremo Tribunal Federal.