Alternativa para a Alemanha vence eleição na Saxônia-Anhalt com 44% dos votos
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A vitória da Alternativa para a Alemanha na Saxônia-Anhalt coloca um partido classificado como extremista de direita pelo serviço de inteligência interno alemão a três cadeiras de comandar um governo estadual pela primeira vez desde a queda do nazismo. O programa defendido por Ulrich Siegmund prevê deportações em massa, restrição de estrangeiros no sistema de saúde, retirada de bandeiras do orgulho LGBTQIA+ das escolas e redução do ensino sobre o Terceiro Reich, agenda que ameaça diretamente imigrantes e minorias. O avanço é lido como consequência da impopularidade do governo federal e da recusa da CDU em compor com a esquerda para formar uma maioria alternativa.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt no domingo, 6 de setembro, com cerca de 44% dos votos e resultado consolidado de 44,4%, o melhor desempenho de um partido de extrema direita em uma disputa estadual alemã desde 1945.
Com 44,4% dos votos e comparecimento recorde de 76,5%, a Alternativa para a Alemanha se tornou de longe a maior força do Parlamento da Saxônia-Anhalt, enquanto a União Democrata Cristã do chanceler Friedrich Merz perdeu mais da metade do eleitorado que tinha em 2021.
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Todos os lados registram os mesmos números: a AfD venceu com 44,4%, elegeu 39 das 83 cadeiras e ficou a três da maioria absoluta, enquanto a CDU de Friedrich Merz caiu para cerca de 17%. Há convergência também em que a seção estadual do partido é classificada como extremista pelo serviço de inteligência interno alemão e em que o resultado enfraquece o chanceler.
Pela primeira vez desde 1945, um partido de extrema direita se tornou a maior força de um Parlamento estadual na Alemanha. A AfD obteve 44,4% dos votos na Saxônia-Anhalt e elegeu 39 das 83 cadeiras, três a menos do que precisaria para governar sozinha. Veja como esquerda, centro e direita leram o resultado e o que ele muda no cordão sanitário alemão.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste do país, com cerca de 44% dos votos apurados no domingo, 6 de setembro. É o melhor desempenho de um partido de extrema direita em uma disputa estadual alemã desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e a primeira vez que uma legenda desse campo se torna a maior força de um Parlamento regional desde 1945. A União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, que governa o estado desde 2002, despencou de 37,1% em 2021 para perto de 17%.
O resultado consolidado apontou 44,4% para a AfD e deu ao partido 39 das 83 cadeiras do Parlamento estadual, três a menos do que as 42 necessárias para a maioria absoluta. O Partido Social-Democrata (SPD) ficou com 9,1%, os Verdes com 8,6% e o Die Linke com 8,4%. A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) superou a cláusula de barreira de 5% e elegeu cinco deputados. O comparecimento chegou a 76,5%, recorde num estado de 2,1 milhões de habitantes. Ulrich Siegmund, candidato da AfD, de 35 anos, declarou que o partido fez história e afirmou ter mandato para governar.
Toda a cobertura converge em três pontos. O primeiro é aritmético: sem as 42 cadeiras, a AfD não elege sozinha o ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador. O segundo é institucional: a seção estadual do partido é classificada como extremista de direita pelo serviço de inteligência interno alemão, e as demais legendas mantêm o chamado cordão sanitário, a recusa formal de acordos, cargos e coalizões com a AfD. O terceiro é político: a derrota é pessoal para Friedrich Merz, que rejeita entendimentos tanto com a AfD quanto com o Die Linke, o que estreita as combinações possíveis para uma maioria alternativa.
Veículos de esquerda concentraram a cobertura no programa de governo apresentado por Siegmund e em seus efeitos sobre grupos específicos: deportações em massa de imigrantes em situação irregular, restrição de estrangeiros no sistema de saúde, criação de vagas de detenção, substituição de bandeiras do orgulho LGBTQIA+ nas escolas pela bandeira alemã e redução da carga de ensino sobre o Terceiro Reich. Essa cobertura também detalhou o risco de um governo minoritário sustentado pela Aliança Sahra Wagenknecht, que já admitiu cooperação pontual em temas como energia, e registrou o alerta do Instituto Econômico Alemão de que a agenda anti-imigração prejudicaria um estado dependente de trabalhadores estrangeiros, sobretudo no setor de saúde.
A cobertura de centro tratou o episódio pela apuração e pela mecânica parlamentar: percentuais consolidados, distribuição de cadeiras, cláusula de barreira, papel das emissoras públicas na divulgação das projeções e reação das chancelarias europeias. Ministros da França e da Polônia classificaram o resultado como sinal preocupante e pediram resposta às causas do descontentamento. Merz afirmou que são necessárias reformas profundas, mas garantiu que as instituições alemãs são resilientes e que a Constituição protege a ordem democrática. O governador derrotado, Sven Schulze, reconheceu o que chamou de duro golpe.
Veículos de direita deram destaque à comemoração de lideranças da direita nacionalista europeia. Dirigentes da Itália, da Espanha, de Portugal e dos Países Baixos parabenizaram a AfD e enquadraram o desfecho como demanda legítima por mudança, segurança e emprego, além de resposta ao que descrevem como imigração ilegal descontrolada. Nessa cobertura, o cordão sanitário aparece menos como defesa institucional e mais como tentativa do establishment de impedir que o partido mais votado chegue ao governo.
O que ainda não se sabe é quem vai governar a Saxônia-Anhalt. Não há definição sobre a formação de um governo minoritário da CDU com apoio pontual no Parlamento, sobre a disposição efetiva da Aliança Sahra Wagenknecht de sustentar a AfD, nem sobre o desfecho da discussão entre autoridades alemãs a respeito de restringir o compartilhamento de informações sigilosas de segurança e inteligência com uma eventual gestão do partido. Também não está fechado o efeito nacional do resultado, com nova eleição estadual marcada para duas semanas depois em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
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