O deputado federal Paulo Pimenta, do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul e líder do governo na Câmara dos Deputados, denunciou uma suposta perseguição a eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois do segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo, 25 de outubro. Segundo ele, apoiadores radicais do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, estariam incentivando demissões de trabalhadores que votaram em Lula e promovendo boicotes a empresas e profissionais liberais que declararam apoio ao presidente reeleito.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando a versão do parlamentar. De acordo com essa cobertura, Pimenta afirmou ter recebido denúncias sobre listas com nomes de pessoas e estabelecimentos comerciais que circulariam em diferentes cidades, acompanhadas de mensagens de intimidação. Há ainda relatos de trabalhadores que teriam sido demitidos ou sofrido assédio moral por causa da posição política.
O deputado informou que está apresentando uma representação ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para pedir a abertura de investigação. Ele afirma haver indícios de um comando centralizado, que orientaria grupos em várias cidades. A apuração pedida deve verificar a origem das listas, a eventual coordenação entre os envolvidos e possíveis práticas de intimidação, assédio moral e discriminação política.
Pimenta classificou a divulgação das listas como gravíssima e disse que se trata de uma prática autoritária, que transforma divergência política em perseguição econômica. Para ele, isso é crime. O parlamentar também orientou quem recebeu as listas ou foi alvo de ameaças a guardar mensagens, documentos e outros registros, que poderiam servir tanto à investigação quanto a ações judiciais por danos morais.
A única cobertura disponível adota o enquadramento do deputado, tratando o caso como violência política, e não traz a manifestação do campo de Flávio Bolsonaro nem de pessoas apontadas como responsáveis pelas listas. Não houve, até agora, cobertura de outros veículos que permitisse comparar ângulos.
O que ainda não se sabe é decisivo para o caso. Nenhuma vítima, empresa ou cidade foi identificada publicamente, e as listas não foram mostradas. Também não há confirmação de que a Polícia Federal ou o Ministério Público Federal tenham recebido a representação ou aberto investigação. A existência de um comando centralizado, por fim, é por ora uma afirmação do deputado, ainda sem prova apresentada.