A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 completou nesta semana um mês de aprovação na Câmara dos Deputados, votada em dois turnos em 27 de maio de 2026. Apesar do marco, o texto segue sem andamento no Senado Federal, onde depende do aval dos senadores para ser promulgado. O assunto se tornou um teste para a articulação política do governo às vésperas do recesso legislativo.
A cobertura de centro relatou que a base aliada do governo no Congresso acompanha a tramitação com crescente preocupação. O foco é o prazo de 17 de julho de 2026, data em que começa o recesso, após o qual as atividades parlamentares ficam interrompidas por causa das eleições. Se a proposta não for votada até julho, o presidente Lula perde a oportunidade de capitalizar politicamente a pauta e de incluir a medida promulgada como conquista na plataforma de campanha.
Os dois lados convergem sobre os fatos centrais. A única movimentação oficial registrada no Senado foi o agendamento de uma sessão de debate temático para o dia 1º de julho, às 10h, no plenário. A bancada do PT pediu que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, receba representantes das centrais sindicais e despache a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça, onde um relator deverá ser designado. O colegiado, porém, não tem sessão marcada para esta semana, o que indica que o texto continuará parado. Entre as possibilidades em aberto estão uma nova rodada de debates na semana de 6 de julho ou a criação de uma comissão especial.
No pano de fundo, há uma falta de diálogo direto entre Lula e Alcolumbre, agravada após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, celebrou o agendamento do debate e declarou-se confiante na aprovação antes do recesso, sinalizando que um encontro de conciliação entre Lula e Alcolumbre estaria próximo. No dia seguinte, o cenário sofreu novo abalo com uma operação da Polícia Federal que mirou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Na mesma data, Alcolumbre cancelou a sessão conjunta do Congresso destinada à análise de vetos presidenciais. No sábado, o senador e ex-ministro Carlos Fávaro admitiu que os canais de interlocução continuam travados, mas manifestou otimismo de que o impasse será superado.
É na ênfase que a cobertura se divide. Veículos de esquerda tendem a tratar o fim da escala 6x1 como uma conquista de direitos para milhões de trabalhadores, enquadrando a paralisia no Senado como obstrução a uma pauta social já validada pela Câmara. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a necessidade de debater os impactos econômicos e produtivos da medida antes de uma votação apressada, destacando o uso eleitoral da pauta pelo governo e o desgaste institucional do Planalto com o Senado e com o Supremo. A cobertura de centro descreveu o trâmite de forma factual, sem aderir a nenhum dos enquadramentos.
O que ainda não se sabe é o cronograma final da PEC. Não há data confirmada para a designação de relator na CCJ, nem para a eventual votação em plenário, tampouco para o encontro de conciliação entre Lula e Alcolumbre. Permanece em aberto se o governo conseguirá destravar o texto antes do início do recesso, em 17 de julho.