O governo federal anunciou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, o fim do subsídio de R$ 0,35 por litro aplicado ao óleo diesel, com vigência a partir de 1º de julho por meio de portaria do Ministério da Fazenda. No mesmo movimento, a Petrobras informou que reduzirá em R$ 0,35 o preço do diesel A às distribuidoras e encerrará um desconto temporário de igual valor, concedido no âmbito da subvenção econômica prevista na Medida Provisória nº 1.358, de maio de 2026. Segundo a estatal, a combinação das duas medidas faz com que o preço final às distribuidoras permaneça inalterado.
A cobertura de centro relatou a mecânica da operação com precisão: o corte de preço da Petrobras compensa exatamente o fim do desconto do governo, de modo que não há aumento imediato repassado nesta etapa. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a portaria teria efeitos imediatos e que o governo avalia a retirada de outras subvenções ainda em vigor, com destaque para um segundo subsídio ao diesel, de R$ 1,12 por litro, e outro de R$ 0,44 aplicado à gasolina. Sobre a gasolina, o ministro sinalizou um anúncio nos próximos dias de retirada, a princípio gradual, assim que os preços estiverem estabilizados, com acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo.
Os veículos de esquerda tenderiam a enfatizar o papel do Estado como amortecedor do choque externo: o subsídio nasceu quando o agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã fez a cotação do petróleo disparar, e sua retirada só acontece porque o barril do tipo Brent recuou a níveis próximos de US$ 70, sinal de que a política pública cumpriu seu objetivo de conter o custo do transporte e proteger o consumidor durante a crise.
Já os veículos de direita enfatizaram o custo fiscal do programa. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o conjunto de medidas adotadas para conter o preço dos combustíveis pode custar até R$ 16 bilhões aos cofres públicos, dos quais R$ 7,5 bilhões já teriam sido consumidos. Para essa cobertura, o fim do auxílio reforça o compromisso do governo com a meta fiscal de 2026 e confirma que a intervenção nos preços era temporária e onerosa. O restante do custo se refere às subvenções ainda vigentes: o subsídio de R$ 1,12 ao diesel, o de R$ 0,44 à gasolina, o auxílio ao gás de cozinha, além das desonerações de tributos sobre biodiesel e querosene de aviação.
O governo também segue avaliando a vigência do imposto de exportação, criado em março para compensar os subsídios aos combustíveis diante do conflito no Oriente Médio. A Medida Provisória que instituiu o tributo vence em meados de julho, e o Executivo estuda deixá-la caducar ou promover uma renovação gradual, a depender da conjuntura e do preço do petróleo.
O que ainda não se sabe é o cronograma exato da retirada dos demais subsídios ao diesel e à gasolina, já que o ministro não forneceu previsão para esses cortes, nem se o imposto de exportação será renovado. Também não está detalhado como o fim das subvenções remanescentes pode afetar o preço final ao consumidor nas próximas semanas.