O governo federal anunciou nesta terça-feira o fim do subsídio de R$ 0,35 por litro do óleo diesel, com validade a partir de 1º de julho. A medida será formalizada por uma portaria do Ministério da Fazenda com efeitos imediatos. Ao mesmo tempo, a Petrobras informou que reduzirá em R$ 0,35 o preço do diesel A vendido às distribuidoras. A combinação das duas medidas deve manter inalterado o valor final do combustível, de modo que, segundo o governo e a estatal, o consumidor não sinta impacto na bomba.
O subsídio vigorava desde março, quando o agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã fez a cotação do petróleo disparar. Com a expectativa de acordo entre americanos e iranianos, o preço do barril de Brent recuou para cerca de US$ 73, queda de mais de 20% no último mês, depois de ter superado US$ 110 no auge da guerra. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esse recuo tornou o auxílio desnecessário. O presidente da Agência Nacional do Petróleo, Artur Watt Neto, reforçou que o impacto direto no preço da bomba deve ser neutro, já que a retirada da subvenção seria compensada pela queda do barril.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil e da Folhapress, relatou de forma factual o encadeamento entre o corte de preço da Petrobras e o fim do desconto do governo, detalhando a cronologia das subvenções criadas desde março e as falas das três autoridades econômicas envolvidas: Durigan, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e o presidente da ANP. Essa cobertura enfatizou o argumento oficial de neutralidade para o consumidor e a avaliação diária das subvenções restantes.
Veículos de direita, como a Veja, enfatizaram o custo fiscal da política de subsídios. Segundo essa cobertura, o conjunto de medidas para conter o preço dos combustíveis pode custar até R$ 16 bilhões aos cofres públicos, dos quais cerca de R$ 7,5 bilhões já teriam sido consumidos. O enquadramento destacou o peso da intervenção estatal nos preços e atribuiu diretamente ao governo Lula a despesa, sublinhando que a retirada reforça o compromisso do governo com a meta fiscal de 2026.
Não houve, no conjunto de artigos analisados, cobertura de veículos de esquerda sobre o caso. A leitura provável desse lado, a partir dos mesmos fatos, enfatizaria que a ação do Estado protegeu a população de um choque externo de preços e que a retirada é conduzida com cautela, de forma gradual e coordenada com a Petrobras, para que o valor na bomba permaneça inalterado.
O governo informou que segue avaliando a retirada de outras subvenções ainda em vigor: um segundo subsídio ao diesel de R$ 1,12 por litro, um subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina e o auxílio ao gás de botijão. Sobre a gasolina, o ministro Durigan sinalizou que o corte deverá ser gradual e só ocorrerá quando os preços estiverem estabilizados.
O que ainda não se sabe é o cronograma exato da retirada dos demais subsídios, o valor final que será efetivamente gasto pelos cofres públicos e se o imposto de exportação criado em março, cujo prazo se encerra em meados de julho, será renovado. O governo afirmou que acompanha a conjuntura diariamente antes de novas decisões.